O recorde mundial do Girolando tem dona nova, e ela atende pelo nome de Jornada Montross FIV LPN. Na 21ª Megaleite, realizada entre 2 e 6 de junho de 2026 no Parque da Gameleira, em Belo Horizonte, a vaca da Fazenda Alvorada produziu 337,95 kg de leite em apenas três dias de torneio, uma média de 112,65 kg por dia. O número derrubou a marca anterior da própria raça e fez de Jornada a Grande Campeã de Produção Absoluta e Composição do Leite do evento, considerado a maior vitrine do agronegócio leiteiro da América Latina.

Como funciona o torneio que bateu o recorde
O torneio leiteiro da Megaleite dura três dias e mede, com balança e boletim de ordenha registrados por técnicos do evento, quanto cada vaca produz nesse período. Não é uma estimativa de lactação inteira, é o desempenho real sob acompanhamento, o que torna o número ainda mais difícil de contestar. Jornada venceu a categoria 1/2 sangue (metade Gir, metade Holandês) e também levou o título geral entre as três categorias de sangue do Girolando disputadas no evento.
As outras duas campeãs mostram a profundidade genética que a raça alcançou no Brasil. Gemada FIV Feriado 1259 Mogiana, da mesma Fazenda Alvorada, venceu a categoria 1/4 sangue (fêmeas adultas) com 263,79 kg em três dias, média de 87,93 kg por dia, e teve 100% de suas cotas negociadas por R$ 300 mil durante o evento. Singela Countdown23072, da Agropecuária Campos Lima, de Delfim Moreira, ficou com o título geral de novilhas na categoria 3/4 sangue, com 269,78 kg no mesmo período.
Quem é o criador por trás do recorde mundial do Girolando
Jornada e Gemada pertencem a Rodrigo Nogueira Ferreira, da Fazenda Alvorada, em Inhaúma, região central de Minas Gerais. Com os resultados da Megaleite 2026, ele soma recordes nas quatro categorias de sangue do Girolando (1/4, 1/2, 3/4 e geral), fruto, segundo ele, de dois anos de planejamento genético e de manejo zootécnico voltado especificamente para o torneio. Boa parte das cotas de Jornada também mudou de mãos no evento: 66,66% delas foram vendidas por R$ 280 mil, e as negociações envolvendo as duas vacas da fazenda somaram cerca de R$ 600 mil.

Por que o Girolando carrega o leite do Brasil nas costas
Vale lembrar o tamanho do que esse recorde representa. O Girolando, cruzamento de Gir com Holandês reconhecido oficialmente pelo Mapa em 1996, responde hoje por cerca de 80% de todo o leite produzido no país, com um rebanho leiteiro nacional estimado em 16 milhões de cabeças. Entre 2011 e 2021 a produtividade média da raça subiu cerca de 60%, saindo de 1.400 para 2.200 litros por vaca ao ano, segundo dados da associação da raça. A pecuária de leite está presente em 98% dos municípios brasileiros, e pequenos produtores com até 200 litros por dia, que são 60,7% do total, respondem por mais de 70% dos aproximadamente 35 bilhões de litros produzidos anualmente no país.
É esse pano de fundo que dá peso ao recorde de Jornada. Um torneio de elite em Belo Horizonte parece distante da realidade de quem tira leite todo dia numa propriedade familiar, mas a genética testada ali, sêmen incluído, é a mesma que entra no rebanho comercial depois. Em um ciclo recente, as vendas de sêmen de touros Girolando bateram 1,333 milhão de doses, dobrando em poucos anos, segundo a associação da raça.
O que esse recorde muda na prática
- Confirma que o teto genético da raça continua subindo, mesmo depois de décadas de seleção.
- Reforça Minas Gerais como o principal polo de genética leiteira do país, puxando preço de sêmen e de embriões.
- Sinaliza para o produtor comum que o ganho de produtividade por vaca ainda tem espaço para crescer sem precisar aumentar o rebanho.
Fica a lição de sempre nesse tipo de recorde: o número que impressiona na pista de julgamento é também um indicador de para onde a genética comercial está indo. Quem acompanha o Gir Leiteiro de perto sabe que recorde chama recorde, como aconteceu com a vaca Darlin, campeã mundial da raça, e também é bom lembrar que o Nelore tem sua própria disputa por recordes de produção.

Para quem quer entender melhor o caminho que leva até esses números, vale olhar também o avanço da IATF em bovinos, técnica que está por trás de boa parte dessa genética de ponta, e comparar com outro recorde recente da pecuária leiteira brasileira, o da vaca Darlin, recordista mundial do Gir Leiteiro. Do lado do corte, a vaca Nelore recorde mundial mostra que a disputa por números extraordinários não é exclusividade do leite.
Fonte: Diário do Comércio.