Rebanho Bovino do Brasil Cai pelo 2º Ano Seguido, mas Pecuária Bate Recorde

Tem um contraste e tanto nos números que o IBGE divulgou na Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM) de 2025. O rebanho bovino nacional encolheu 1,7%, caindo para 234,3 milhões de cabeças, o menor patamar desde 2022 e a segunda queda anual seguida. Ao mesmo tempo, o valor da produção pecuária como um todo bateu R$ 141,2 bilhões, alta de 6,2% sobre 2024.

Vacas em campo seco, rebanho bovino do Brasil segundo dados do IBGE

Menos boi, mais dinheiro: como isso é possível

A conta fecha porque “pecuária”, no levantamento do IBGE, não é só boi. Enquanto o rebanho bovino recuava, caprinos e ovinos bateram recorde (13,5 milhões e 22,3 milhões de cabeças, respectivamente), e a avicultura também cresceu forte, com 1,6 bilhão de galináceos no país, outro recorde histórico. Ou seja, o resultado positivo em valor vem puxado por outras cadeias, não pela bovinocultura.

Isso não quer dizer que o boi brasileiro valha menos. Preço de arroba e produtividade por animal têm compensado parte da redução no número de cabeças. Mas um rebanho menor, ano após ano, é um dado que merece atenção de quem pensa a cadeia no médio prazo.

Vaca branca em solo de fazenda, bovinocultura no Brasil

São Félix do Xingu segue na liderança

No recorte municipal, São Félix do Xingu, no Pará, continua como o município com o maior rebanho bovino do Brasil, com 2,7 milhões de cabeças, mais gado do que muita gente tem em estado inteiro. É um número que já vem se repetindo nos levantamentos do IBGE nos últimos anos e mostra como a fronteira pecuária amazônica concentra uma fatia enorme do boi nacional.

  • Rebanho bovino nacional: 234,3 milhões de cabeças (-1,7%), menor nível desde 2022
  • Valor da produção pecuária total: R$ 141,2 bilhões (+6,2%)
  • São Félix do Xingu (PA): maior rebanho bovino municipal, com 2,7 milhões de cabeças
  • Suínos: 43,9 milhões de cabeças, com Toledo (PR) como maior polo municipal
Vacas marrons com bezerros em campo seco e ensolarado

Fica a pergunta para quem acompanha o setor: essa queda no rebanho bovino é só um ajuste pontual de mercado, puxado pelo preço alto do boi gordo que incentiva abate, ou é o início de uma reorganização mais estrutural da pecuária brasileira? O IBGE só vai confirmar isso com os números de 2026, mas dois anos seguidos de queda já chamam atenção.

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