Chuva Atrasa Esquila no RS e Ameaça a Produção de Lã Ovina

Novembro é mês de tesoura no Rio Grande do Sul, mas a chuva não está ajudando. Segundo estimativa da Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (Arco), o estado deve produzir cerca de 8 milhões de quilos de lã nesta safra, mas o clima está empurrando a esquila para depois do ideal em várias propriedades.

Ovelha branca em pasto, produção de lã no Rio Grande do Sul

Por que o atraso preocupa

Sérgio Muñoz, coordenador do Programa de Lã Certificada da Arco, explica que quanto mais a esquila atrasa, maior o risco de contaminação da lã por flechilha, uma gramínea cujas sementes se prendem ao velo e que se torna mais comum justamente a partir de novembro. Fora isso, lã deixada por mais tempo no corpo do animal tende a amarelar e a desenvolver fungos, dois problemas que derrubam o valor comercial do produto.

Em Herval, no sul do estado, uma equipe de tosquiadores ficou parada esperando a temperatura subir. Chover é uma coisa, mas tosquiar ovelha com frio extremo também traz risco para o próprio animal, que fica exposto depois de perder o velo.

Lã bruta de ovino, matéria-prima da cadeia laneira gaúcha

Nem toda a lã do RS vale a mesma coisa

Dos 8 milhões de quilos previstos, a Arco estima que só entre 2 e 3 milhões de quilos tenham valor têxtil de fato, e mesmo essa conta é difícil de fechar com precisão. O motivo tem história: depois que o preço da lã despencou durante e após a pandemia, muitos criadores cruzaram rebanhos de raças laneiras com raças de corte, o que melhorou o retorno em carne mas piorou a qualidade da lã produzida.

  • Previsão de 8 milhões de kg de lã no RS nesta safra, segundo a Arco
  • Apenas 2 a 3 milhões de kg devem ter valor têxtil comprovado
  • Chuvas de agosto já somaram entre 600 e 700 mm em algumas regiões
  • 12 equipes de tosquia cadastradas no site da Arco, incluindo equipes uruguaias que atuam na Fronteira Oeste
Rebanho de ovelhas em campo aberto, ovinocultura no sul do Brasil

A notícia boa, se é que dá para chamar assim, é que o mercado internacional de lã está favorável, com rebanhos e oferta reduzidos em outros países produtores. Mas Muñoz foi claro: “a demanda por lã certificada mantém exigências rigorosas de qualidade”. Ou seja, o comprador lá fora paga bem, só que exige que o produto chegue limpo e dentro do padrão. E isso, com esse clima, não está sendo fácil.

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