Se você acha que o setor pet é só ração e coleira, os números recentes da Abinpet (Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação) mostram outra realidade. O Brasil já tem cerca de 170 milhões de animais de estimação, número que coloca o país entre os maiores mercados pet do mundo. E o faturamento projetado pra 2026 é de R$ 80 bilhões, com destaque crescente pra serviços veterinários e cuidados especializados, não só produto de prateleira de supermercado.
De bicho de estimação a item de orçamento familiar
O que mudou nos últimos anos não foi só a quantidade de pets, foi o tipo de gasto. Cresce o interesse por planos de saúde animal, ainda incipiente no Brasil comparado a mercados mais maduros, mas com um sinal claro de pra onde está indo: o mercado global de seguros e planos pet somou US$ 15,81 bilhões em 2024, com projeção de chegar a US$ 25,97 bilhões até 2030, crescimento médio de 10,44% ao ano. Se o Brasil seguir essa curva, e tudo indica que vai (o tutor brasileiro já trata cachorro e gato como membro da família há tempos), plano de saúde pet deixa de ser nicho e vira produto de prateleira de corretora de seguro.
Por que isso interessa pra quem trabalha com produção animal
Pode parecer que mercado pet e zootecnia de produção são mundos separados, mas não são tanto assim. Boa parte da base técnica de nutrição, genética e manejo sanitário que se desenvolve pra cães e gatos vem do mesmo corpo de conhecimento de zootecnia aplicada a outras espécies, e cada vez mais médicos-veterinários e zootecnistas brasileiros constroem carreira nesse mercado que cresce em ritmo bem mais acelerado que a pecuária tradicional. Com faturamento de R$ 80 bilhões à vista, a demanda por profissional qualificado em nutrição animal, clínica e bem-estar só aumenta.
- Cerca de 170 milhões de pets no Brasil, segundo a Abinpet
- Faturamento projetado do setor pet em 2026: R$ 80 bilhões
- Mercado global de planos de saúde pet: US$ 15,81 bi (2024) a US$ 25,97 bi (2030 projetado)
- Crescimento médio anual projetado do setor de seguros pet: 10,44%
O que fica de recado
Setor pet brasileiro cresce rápido, mas ainda tem muita gordura pra queimar em formalização e em oferta de serviço especializado fora dos grandes centros. Enquanto São Paulo e Rio concentram a maior parte das clínicas de ponta e das redes de hospital veterinário, o interior ainda carece de estrutura equivalente, mesmo tendo uma população pet proporcionalmente parecida. Pra quem está se formando em zootecnia ou veterinária agora, é bom prestar atenção nesse mercado: ele cresce sem parar e ainda tem espaço geográfico enorme pra ocupar.


