Piometra em Cadelas: a Emergência que Quase Matou Shakira

Piometra em cadelas é uma das emergências que mais pegam tutores desprevenidos, porque muitas vezes não dá nenhum sinal óbvio até estar quase tarde demais. Foi o que aconteceu com Shakira, uma cadela de 3 anos atendida em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, que chegou com o abdômen visivelmente inchado e uma secreção que a tutora só tinha notado havia cerca de uma semana. Ela foi encaminhada à UFMS por um convênio da prefeitura com a universidade, e só então o quadro foi identificado a tempo de operar.

Cadela em consulta veterinária de emergência para diagnóstico de piometra

O que é piometra e por que ela aparece depois do cio

Piometra é uma infecção uterina grave, com acúmulo de pus dentro do útero, que atinge fêmeas não castradas, quase sempre depois do cio. As mudanças hormonais desse período deixam o ambiente uterino mais favorável à proliferação de bactérias, e o que começa como uma infecção localizada pode evoluir para um quadro sistêmico em poucos dias. A doença também afeta gatas, não só cadelas, e o risco cresce com a idade: estudos de literatura veterinária apontam que cerca de 25% das cadelas não castradas desenvolvem piometra antes dos 10 anos, com o maior risco concentrado depois dos 7 anos.

Existem duas formas clínicas, e a diferença entre elas é o que torna o diagnóstico traiçoeiro. Na forma aberta, o colo do útero permanece parcialmente aberto e a secreção vaginal fétida aparece, o que ajuda o tutor a perceber que algo está errado. Na forma fechada, não há nenhuma secreção visível porque o colo está fechado, e é justamente essa ausência de sinal que atrasa o diagnóstico enquanto o pus continua se acumulando por dentro.

Por que a forma fechada é mais perigosa

Um levantamento com 42 cadelas publicado em periódico de ciência animal mostra bem essa diferença de gravidade. Na forma aberta, presente em 69% dos casos da série, a secreção apareceu em 93,1% das cadelas e a taxa de sobrevivência foi de 82,8%. Na forma fechada, 31% dos casos, nenhuma cadela apresentou secreção, todas vomitaram, e a sobrevivência caiu para 61,5%, com óbitos atribuídos principalmente a peritonite e sepse. A ureia média do grupo com forma fechada (95,31 mg/dL) foi mais que o dobro da do grupo com forma aberta (39,60 mg/dL), um sinal de comprometimento renal e sistêmico muito mais sério. A conduta recomendada nesses casos é a cirurgia, a ovariohisterectomia, em até 24 horas após o diagnóstico.

Cadela não castrada em exame clínico, grupo de risco para piometra

Sinais que merecem ida imediata ao veterinário

  • Aumento de volume ou endurecimento do abdômen, especialmente dentro de duas a três semanas após o fim do cio.
  • Secreção vaginal com cheiro forte, mesmo que pareça discreta no começo.
  • Apatia, falta de apetite, febre ou vômitos repetidos sem explicação.
  • Aumento da sede e da frequência urinária, sinal clássico ligado à piometra mesmo sem secreção aparente.

Em Campo Grande, a Superintendência de Bem-Estar Animal (Subea) registra cerca de 30 casos de piometra por mês apenas na capital, o que dá uma ideia de como o problema está longe de ser raro. É justamente por isso que a castração preventiva continua sendo a orientação mais repetida pelos veterinários: cadela castrada não desenvolve piometra, porque não há mais útero para infeccionar. A Subea mantém campanha de castração gratuita para cães e gatos até 25 kg para moradores de Campo Grande, com atendimento de segunda a sexta (exceto quarta), das 7h30 às 13h, na Rua Rui Barbosa, 3538, no Centro.

Tutor com cadela após diagnóstico de piometra, castração é a prevenção

O caso de Shakira terminou bem porque alguém notou a mudança no corpo da cadela e correu para o veterinário, mesmo sem saber exatamente o que estava acontecendo. É o mesmo tipo de atenção que faz diferença em outras emergências caninas, como a torção gástrica em cães ou a leishmaniose visceral canina, e reforça por que a castração entra tanto nas campanhas de adoção responsável de cães e gatos no Brasil.

Fonte: A Crítica.

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