Torção Gástrica em Cães: Por Que Dogue Alemão, São Bernardo e Pastor Alemão Correm Mais Risco

Entre as emergências veterinárias caninas, poucas matam tão rápido quanto a síndrome de dilatação e torção gástrica. O estômago se enche de gás, gira sobre o próprio eixo e, em minutos, compromete a circulação sanguínea do animal inteiro. Segundo trabalho da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) sobre o tema, a condição tem alta mortalidade em cães e sua etiologia completa ainda não está totalmente esclarecida, resultando provavelmente da interação entre vários fatores de risco ao mesmo tempo.

Cão de raça grande, risco de torção gástrica canina

Por que o peito profundo é o verdadeiro fator de risco

A lista de raças mais predispostas não é aleatória, ela segue um padrão físico bem definido: cães de peito profundo e estreito. Dogue Alemão, São Bernardo, Pastor Alemão, Labrador Retriever, Golden Retriever e Setter Irlandês aparecem com frequência entre os casos relatados pela literatura veterinária. Raças pequenas também podem ser afetadas, principalmente Basset Hound e Dachshund, sobretudo quando há histórico familiar da condição, o que reforça o peso do componente genético.

A idade também conta: cães mais velhos perdem tônus muscular na região abdominal com o tempo, o que facilita a movimentação anormal do estômago cheio de gás.

Pastor alemão em campo, emergência veterinária canina em raças de peito profundo

Sinais que não podem esperar até amanhã

  • Inquietação, andar de um lado para o outro sem motivo aparente e gemidos.
  • Barriga que incha rapidamente e fica dura e tensa ao toque.
  • Tentativas de vomitar sem produzir quase nada, só espuma ou saliva.
  • Salivação excessiva e respiração acelerada ou de boca aberta.
  • Em casos graves, letargia, gengivas pálidas, pulso fraco e até desmaio.

Qualquer combinação desses sinais, especialmente num cão de raça grande e peito profundo, é motivo para buscar atendimento veterinário de emergência imediatamente, sem esperar para ver se melhora por conta própria.

Cão adulto de raça grande, sinais de dilatação torção gástrica

O que realmente reduz o risco

A UFRGS destaca que a gastropexia preventiva, cirurgia que fixa o estômago à parede abdominal para impedir que ele gire, é apontada como o método mais eficaz para evitar a ocorrência em animais predispostos. Fora do centro cirúrgico, hábitos simples do dia a dia também ajudam a reduzir o risco:

  • Dividir a alimentação diária em várias refeições pequenas, em vez de uma única refeição grande.
  • Evitar exercício intenso pelo menos uma hora antes e depois das refeições.
  • Usar comedouros que obrigam o cão a comer mais devagar.
  • Considerar o comedouro elevado para raças grandes, embora essa recomendação ainda gere debate entre especialistas.
  • Conversar com o veterinário sobre gastropexia preventiva em cães de raça com histórico familiar da condição.

Nenhuma dessas medidas elimina o risco por completo, mas juntas reduzem a chance de um cão de raça grande acabar precisando de uma cirurgia de emergência, justamente o tipo de procedimento em que cada minuto de demora pesa contra a chance de recuperação do animal.

Deixe uma resposta

Compartilhar

Share on facebook
Facebook
Share on linkedin
LinkedIn
Share on telegram
Telegram
Share on whatsapp
WhatsApp

TAMBÉM QUER SEU ANÚNCIO AQUI? ENTRE EM CONTATO

Translate »