A Paraíba é hoje a maior produtora nacional de leite de cabra, com cerca de 6 milhões de litros por ano, concentrados sobretudo nos municípios de Monteiro e Cabaceiras, na região do Cariri. O detalhe curioso é que esse primeiro lugar não vem de um rebanho gigante: o estado tem apenas 826 mil cabeças de caprinos, a 5ª posição entre os estados brasileiros, atrás de Bahia, Pernambuco, Piauí e Ceará.

Rebanho menor, produção maior: como isso é possível
O rebanho caprino brasileiro, segundo a Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM) do IBGE, está concentrado assim:
- Bahia: 4 milhões de cabeças
- Pernambuco: 3,4 milhões de cabeças
- Piauí: 2 milhões de cabeças
- Ceará: 1,1 milhão de cabeças
- Paraíba: 826 mil cabeças
Com um rebanho quase cinco vezes menor que o da Bahia, a Paraíba ainda assim assume a liderança na produção de leite. Isso só é possível quando a atividade é tratada como caprinocultura leiteira especializada, com foco em ordenha regular e manejo orientado para produção de leite, em vez de rebanhos criados principalmente para carne ou como reserva de valor no campo, modelo ainda comum em outras regiões do semiárido.

A agricultura familiar segura essa produção
Cerca de 70% da atividade leiteira caprina na Paraíba vem da agricultura familiar, segundo dados do setor agropecuário estadual, concentrada em Monteiro e Cabaceiras, dois municípios do Cariri paraibano que funcionam como polos regionais da cadeia. Isso significa que a liderança nacional em leite de cabra não é sustentada por grandes operações industriais, mas por um número grande de pequenos produtores que fazem da ordenha caprina parte central da renda familiar.
Esse formato traz desafios próprios, como irregularidade de escala e dificuldade de acesso a crédito e assistência técnica, mas também explica por que a atividade resiste mesmo em anos de seca severa no semiárido: famílias que dependem diretamente da renda do leite tendem a manter o manejo mesmo quando a pastagem natural falha, recorrendo a estratégias de suplementação alimentar para não perder o rebanho produtivo.

O contexto maior da pecuária nordestina
A pecuária brasileira como um todo somou R$ 141,2 bilhões em 2025, uma alta de 6,2% em relação ao ano anterior, segundo o IBGE. Dentro desse total, o leite de cabra é um nicho pequeno se comparado ao leite bovino, mas estratégico para a economia de municípios do semiárido nordestino, onde poucas outras cadeias produtivas conseguem gerar renda regular ao longo do ano inteiro com a mesma resiliência à seca.