O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) reconheceu oficialmente a raça ovina Berganês, por meio da Portaria nº 1.630. A decisão, destacada pela Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA), abre caminho para que a raça, desenvolvida no Nordeste brasileiro para produção de carne em condições de semiárido, passe a ter registro genealógico formal no país.

Quem vai cuidar do registro
A Associação Brasileira de Criadores de Ovinos, a Arco, com sede em Bagé (RS), foi autorizada a realizar o registro genealógico da nova raça. A entidade está cadastrada junto ao Mapa sob o número 007, o que a qualifica a assumir essa responsabilidade dentro do sistema oficial de registro de raças do país. Na prática, isso significa que, a partir de agora, criadores de ovinos Berganês de todo o Brasil podem registrar seus animais e ter acesso formal a um histórico genealógico reconhecido pelo governo.

Por que um registro genealógico importa tanto
Para quem está fora da zootecnia, pode parecer burocracia, mas o registro genealógico é a espinha dorsal de qualquer programa serio de melhoramento animal. Segundo a SDA, ele permite controle de linhagem, acompanhamento de características zootécnicas ao longo de gerações, rastreabilidade do animal e, principalmente, seleção e melhoramento genético orientado por dados em vez de impressão visual.
Sem esse histórico documentado, um criador não tem como comprovar a origem de um animal de destaque nem planejar cruzamentos com previsibilidade. Com o registro, a raça Berganês passa a competir em igualdade de condições documentais com raças já consolidadas no país, como Santa Inês e Dorper, que há anos contam com acompanhamento genealógico estruturado.

Uma raça pensada para o semiárido
A Berganês nasceu dentro do contexto do semiárido nordestino, região onde calor extremo, pastagem escassa em boa parte do ano e necessidade de rusticidade moldam qualquer programa de melhoramento animal com seriedade. Uma raça formalmente registrada abre a porta para que produtores da região tenham acesso a uma opção genética documentada e adaptada ao clima local, em vez de depender só de raças desenvolvidas para climas temperados e adaptadas ao Brasil por tentativa e erro.
O que vem a seguir
Com a portaria publicada e a Arco autorizada a operar o registro, o próximo passo natural é o crescimento do número de matrizes e reprodutores cadastrados, um processo que costuma levar alguns anos até que a raça ganhe volume suficiente para aparecer em exposições e leilões especializados, como já acontece com o Berganês em eventos regionais como o Caprishow, em Pernambuco.