Quando a maioria das pessoas pensa em abelha, imagina logo a Apis mellifera, a abelha europeia que faz mel em caixa e tem ferrão. Mas o Brasil guarda um título pouco conhecido fora da zootecnia: segundo publicação da Embrapa sobre meliponicultura, o país já tem cerca de 250 espécies de abelhas sem ferrão catalogadas, nativas, que fazem parte do grupo dos Meliponini. Para efeito de comparação, estima-se que existam cerca de 550 espécies de Meliponini identificadas no mundo todo, com um total estimado em até 800 espécies em regiões tropicais e subtropicais.

A maioria das abelhas nem vive em colmeia
Um dado que surpreende quem só conhece a criação comercial: as abelhas eusociais, aquelas que vivem em colônia organizada com rainha e operárias, como a jataí e a mandaçaia, representam só cerca de 5% de todas as espécies de abelhas que existem. A maioria é solitária e nunca vai formar colmeia nenhuma. Nas abelhas sem ferrão que são criadas em meliponário, o desenvolvimento do ovo posto pela rainha até a abelha adulta emergir leva entre 40 e 52 dias, dependendo da espécie e da disponibilidade de alimento na colônia.

Cada região do Brasil tem suas espécies preferidas
A criação de abelhas sem ferrão no Brasil ainda é, em boa parte, informal, sem lista oficial completa de quais espécies são mais criadas em cada estado. Mas levantamentos da própria Embrapa mostram preferências regionais bem marcadas: no Nordeste, a jandaíra, a uruçu e a jataí dominam; no Sudeste, a guaraipo e a mandaçaia aparecem com frequência; no Sul, borá, tubuna e novamente a jataí, que é a espécie mais versátil e criada em praticamente todo o território nacional.
- Jataí (Tetragonisca angustula): a mais fácil de manejar, presente em quase todo o Brasil;
- Uruçu (Melipona scutellaris): tradicional no Nordeste, valorizada pela produção de mel;
- Mandaçaia (Melipona quadrifasciata): comum do Sudeste ao Centro-Oeste;
- Guaraipo (Melipona bicolor): típica do Sudeste e também encontrada no Sul.

Mais que uma curiosidade de biodiversidade, essa diversidade de espécies sustenta boa parte da polinização de plantas nativas que nenhuma abelha importada faz tão bem quanto a nativa que evoluiu ao lado delas.