Entre as doenças que mais preocupam a suinocultura mundial, a Síndrome Respiratória e Reprodutiva dos Suínos, conhecida pela sigla PRRS, tem um detalhe curioso no Brasil: segundo a ficha técnica oficial do Ministério da Agricultura e Pecuária, ela é classificada como doença nunca registrada no país. E mesmo assim, o Brasil mantém um protocolo de vigilância pronto para agir no mesmo dia em que aparecer o primeiro caso suspeito.

O que a doença faz quando chega
A PRRS é causada por um arterivírus com dois genótipos principais, o PRRSV-1 e o PRRSV-2, cada um dividido em vários subtipos. Em porcas gestantes, provoca febre de 40 a 42 graus, anorexia, abortos no fim da gestação e leitões natimortos, mumificados ou fracos demais para sobreviver. Em leitões na creche e em animais de crescimento e terminação, os sinais vão de atraso de crescimento a dispneia e infecções secundárias que aumentam a mortalidade do lote inteiro.
O período de incubação é de apenas 14 dias, mas o que torna o controle tão difícil é que animais infectados, mesmo sem sinal clínico nenhum, podem continuar excretando o vírus por mais de 200 dias. É tempo suficiente para o vírus circular por vários lotes antes de qualquer suspeita.

Por que não existe vacina à venda aqui
Diferente de outras doenças suínas, a vacinação contra PRRS é proibida no Brasil. A lógica é simples: como o país nunca teve um caso, qualquer resultado positivo em um teste seria automaticamente tratado como foco real, sem a dúvida de que o animal possa estar apenas reagindo a uma vacina. Isso mantém a doença na Categoria 1 da Instrução Normativa nº 50/2013, que exige notificação imediata ao serviço veterinário oficial de qualquer suspeita.
- Em caso suspeito, a propriedade é interditada e toda movimentação de entrada e saída é rastreada;
- Amostras são enviadas ao laboratório oficial de referência em Pedro Leopoldo, Minas Gerais, para RT-PCR e isolamento viral;
- Se confirmado, o foco exige eliminação dos animais, destruição de carcaças, desinfecção completa e monitoramento com animais sentinela;
- Produtores podem reportar suspeitas pelo e-mail oficial pnss@agricultura.gov.br.

Manter a PRRS fora do Brasil não é sorte, é o resultado de um plano integrado de vigilância que trata qualquer suspeita como emergência zoossanitária antes mesmo de ela se confirmar.