Quem mora em cidade do interior já deve ter visto capivaras pastando em praça ou nadando em lago urbano, e o fenômeno virou caso para o Ministério Público. Em junho de 2026, o MP do Ceará anunciou que vai oficiar os órgãos ambientais do estado para que adotem políticas de controle da população de capivaras em áreas urbanas, depois do primeiro Encontro Técnico de Gestão da Fauna Silvestre, realizado em Fortaleza.

Por que elas estão se multiplicando nas cidades
O encontro reuniu especialistas, órgãos ambientais e representantes da sociedade civil, e um ponto ficou claro na discussão: a capivara não é uma espécie invasora, ela é nativa do Brasil e sempre esteve nas margens de rios e lagoas. O que mudou foi o ambiente ao redor dela. Segundo os especialistas reunidos no encontro, o crescimento descontrolado da população urbana é favorecido pela ausência de grandes predadores naturais, como onça-pintada e onça-parda, que normalmente controlariam esse número em ambiente silvestre.
Sem predador, com comida fácil em parques e jardins e sem caça nem risco de atropelamento tão grande quanto numa estrada rural, a população local simplesmente cresce até o limite que o espaço urbano aguenta.

O risco sanitário que motivou a ação do Ministério Público
A preocupação não é só estética ou de trânsito. Em locais com muita capivara, cresce também o risco de febre maculosa brasileira, doença transmitida pelo carrapato-estrela que costuma viver nesses animais. Quem apresentar sintomas após contato com área de concentração de capivaras deve procurar atendimento médico rapidamente, já que a febre maculosa pode evoluir rápido quando não é tratada no início.
- Evitar alimentar capivaras em parques e áreas urbanas, o que ajuda a manter a população sob controle natural;
- Checar o corpo após caminhadas em áreas com concentração de capivaras, à procura de carrapatos;
- Procurar atendimento médico diante de febre alta, dor de cabeça e manchas na pele após esse tipo de contato;
- Reportar à prefeitura ou ao órgão ambiental local qualquer concentração anormal de animais silvestres na cidade.

O caso cearense deve servir de referência para outros estados que vivem o mesmo problema: o bicho não fez nada de errado, só ocupou o espaço que a cidade deixou de disputar com ele.