Garrotilho em Cavalos: Alta Morbidade, Baixa Letalidade e um Detalhe que Engana Até Veterinário

O garrotilho, causado pela bactéria Streptococcus equi subespécie equi, é uma das doenças mais contagiosas que um cavalo pode pegar, mas também uma das que mais confunde quem está começando a lidar com equinos: ela tem morbidade altíssima e letalidade baixa, ou seja, quase todo cavalo exposto adoece, mas poucos morrem por causa dela. O problema é o que acontece depois que o animal parece curado.

Tratadora ao lado de cavalo em fazenda equestre

Como identificar antes que vire surto na tropa

Segundo artigo publicado na Ciência Rural pelo grupo de pesquisa liderado por Moraes e colaboradores, os primeiros sinais aparecem cerca de duas semanas após o contato com o agente: corrimento nasal acompanhado de tosse e aumento dos linfonodos da região da garganta, que em casos mais graves chegam a dificultar a respiração do animal. Os abscessos que se formam nessa região costumam ter pus de cor creme, e o baço pode apresentar focos purulentos.

O tratamento com antibiótico ainda divide opinião entre veterinários, segundo revisão publicada por Sweeney e colaboradores no Journal of Veterinary Internal Medicine: a resposta costuma ser melhor quando o antibiótico é usado bem no início, antes de os abscessos se formarem. Depois disso, pomadas rubefacientes para acelerar a drenagem costumam ser a opção mais indicada.

Homem ao lado de cavalo em pasto verde

O detalhe que engana: o cavalo “curado” que continua contagiando

Esse é o ponto que mais surpreende quem só olha o animal de fora: estudos citados pelo grupo de Moraes mostram que cerca de 20% dos cavalos aparentemente recuperados continuam eliminando a bactéria pela secreção nasal, mesmo sem nenhum sintoma visível. A boa notícia é que a combinação de isolamento com testes de PCR consegue detectar até 90% desses portadores, o que ajuda a cortar a cadeia de transmissão antes que ela volte a circular pela tropa inteira.

  • Isolar qualquer cavalo recém-chegado por pelo menos duas a três semanas antes de juntá-lo ao resto da tropa;
  • Lavar baias e higienizar cochos sempre que houver troca de animal;
  • Nunca compartilhar cabrestos, baldes ou outros acessórios entre cavalos diferentes;
  • Testar com PCR animais que tiveram contato com um caso confirmado, mesmo sem sintomas.
Cavalo recebendo cuidados em baia de estábulo

É justamente essa parcela de cavalos sem sintoma nenhum que costuma reiniciar o surto numa tropa que já achava o problema resolvido.

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