Gripe Aviária no Brasil: Como Foi o Primeiro Caso de H5N1 em Granja Comercial em Montenegro (RS)

Em 15 de maio de 2025, o Brasil confirmou seu primeiro caso de gripe aviária de alta patogenicidade (H5N1) em uma granja comercial de aves, no município de Montenegro, no Rio Grande do Sul. Dias depois, outro caso apareceu no zoológico de Sapucaia do Sul, também no estado. Para um país que é o maior exportador de carne de frango do mundo, a notícia pegou o setor inteiro de surpresa, mesmo com a doença circulando há meses em outros continentes.

Galinha solta em quintal de granja, ilustrando criação de aves no campo

O que aconteceu na granja de Montenegro

A propriedade afetada foi isolada imediatamente após a confirmação laboratorial. Todas as aves do plantel e os ovos armazenados foram descartados, seguindo o protocolo padrão da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA/WOAH) para esse tipo de foco. Não existe tratamento para a gripe aviária em aves comerciais, e o abate sanitário da granja inteira é a única forma de impedir que o vírus se espalhe para outras criações da região.

O Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) declarou situação de emergência zoossanitária em Montenegro por 60 dias, com uma área de vigilância de 10 quilômetros de raio ao redor do foco. Até o dia 18 de maio, 238 das 510 propriedades dentro dessa área já tinham sido vistoriadas por equipes de defesa agropecuária.

As barreiras montadas para conter o vírus

Para reduzir o risco de disseminação pelo trânsito de pessoas, veículos e animais, o MAPA e a Secretaria de Agricultura do Rio Grande do Sul organizaram uma estrutura de bloqueio ao redor da área de foco. Entre as medidas estavam:

  • 7 barreiras de bloqueio de trânsito de animais e veículos ligados à produção avícola;
  • 6 barreiras de desinfecção para quem precisasse circular pela zona de vigilância;
  • vistorias porta a porta em granjas comerciais e criações de subsistência da região;
  • monitoramento diário de mortalidade em aves silvestres e domésticas no entorno.

O ministro Carlos Fávaro concedeu uma coletiva de imprensa em 19 de maio para detalhar as ações e tentar conter a repercussão do caso, reforçando que o foco estava isolado e sob controle. O ciclo de observação de 28 dias, exigido pela OMSA para que uma área volte a ser considerada livre da doença, teve seu marco inicial em 22 de maio, contando a partir do último dia de descarte das aves.

Galinha de perfil dentro de galinheiro, mostrando ambiente de criação avícola

O impacto nas exportações de frango

A resposta comercial foi imediata. Cerca de 20 países suspenderam a compra de carne de aves do Brasil, alguns de forma total e outros restritos à região ou ao município de Montenegro. China, União Europeia e México estiveram entre os mercados que fecharam as portas para o produto nacional enquanto durasse a investigação, enquanto Japão e Arábia Saudita limitaram a suspensão apenas ao município do foco.

Como o Brasil responde por boa parte do frango consumido em dezenas de países, qualquer suspensão em bloco tem peso imediato na balança comercial do agro. A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) e a Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav) trataram rapidamente de tranquilizar o consumidor, afirmando que não havia risco à saúde de quem consome carne de frango ou ovos no país, já que o vírus não se transmite por essa via quando a carne é bem cozida.

O que fica de lição para quem produz aves

A Secretaria de Agricultura do Rio Grande do Sul reforçou que não havia qualquer restrição ao consumo de carne de frango e de ovos durante todo o período de investigação, mas o episódio deixou um recado claro para o setor avícola brasileiro: biossegurança não é detalhe burocrático, é a única barreira real entre uma granja comercial e um foco de gripe aviária. Troca de calçado e roupa na entrada do aviário, controle de acesso de veículos, telamento contra aves silvestres e quarentena de lotes novos são práticas que custam pouco e evitam prejuízos que se contam em exportações perdidas e plantéis inteiros sacrificados.

Passado o susto de Montenegro, o Brasil conseguiu recuperar seu status de país livre de gripe aviária em aves comerciais junto à OMSA depois de cumprir o período de vigilância exigido, mas o caso mostrou que nenhum país grande produtor está imune à doença enquanto ela circular em aves migratórias ao redor do planeta.

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