Surto de Cinomose no Espírito Santo Faz Governo Comprar 25 Mil Vacinas de Emergência

Um surto de cinomose que começou no município de Muqui, no sul do Espírito Santo, e se espalhou para Presidente Kennedy, Cachoeiro de Itapemirim e Vila Pavão levou o governo estadual a comprar 25 mil doses de vacina em caráter de emergência. O anúncio foi feito pelo secretário de Estado do Meio Ambiente, Felipe Rigoni, e a compra está vinculada ao programa estadual de bem-estar animal PetVida.

A urgência da resposta tem explicação direta nos números da própria classe veterinária. Segundo o Conselho Regional de Medicina Veterinária do Espírito Santo (CRMV-ES), a mortalidade da cinomose varia de 50% a 90% nos cães não vacinados, um dos índices mais altos entre as doenças infecciosas caninas comuns no Brasil. Em contrapartida, a vacinação previne cerca de 95% dos casos, o que torna a imunização, e não o tratamento depois do contágio, a única estratégia realmente eficaz contra a doença.

Por que a cinomose mata tanto

A cinomose é causada por um morbillivirus canino que ataca ao mesmo tempo os sistemas respiratório, digestivo e nervoso do animal. Isso explica por que o quadro clínico varia tanto de caso para caso: alguns cães apresentam principalmente secreção nasal e tosse, outros vômito e diarreia, e nos casos mais graves o vírus chega ao sistema nervoso central, provocando tremores, convulsões e sequelas neurológicas que podem ser permanentes mesmo em quem sobrevive.

A transmissão acontece por contato direto entre animais infectados e saudáveis, mas também por contato indireto, via objetos, comedouros e ambientes contaminados, o que facilita a propagação rápida em áreas com grande concentração de cães errantes ou semidomiciliados, como costuma ocorrer em municípios do interior. Não existe tratamento específico contra o vírus, apenas suporte clínico para as complicações, o que reforça por que a prevenção pela vacina é tratada como prioridade absoluta pelos veterinários.

Cão recebendo vacina contra cinomose no veterinário

A resposta do Espírito Santo

A compra emergencial de 25 mil doses pelo governo estadual mostra que a resposta ao surto não ficou restrita à esfera municipal. Ao vincular a ação ao programa PetVida, o Espírito Santo também sinaliza que está tratando o episódio como uma questão de bem-estar animal e saúde pública veterinária, não apenas como um problema pontual de alguns municípios do sul do estado.

Seringa usada para aplicação de vacina em cães

Para tutores de cães em qualquer região do Brasil, o episódio capixaba funciona como lembrete prático: o calendário de vacinação contra cinomose começa ainda na fase de filhote, com reforços periódicos, e atrasar essa vacinação em áreas onde já existe sequer suspeita de circulação do vírus aumenta de forma real o risco de o animal entrar justamente na faixa de mortalidade de 50% a 90% que o CRMV-ES descreve. Em uma doença sem cura específica, a vacina continua sendo, de forma literal, a diferença entre vida e morte.

Deixe uma resposta

Compartilhar

Share on facebook
Facebook
Share on linkedin
LinkedIn
Share on telegram
Telegram
Share on whatsapp
WhatsApp

TAMBÉM QUER SEU ANÚNCIO AQUI? ENTRE EM CONTATO

Translate »