O Brasil encerrou 2025 com o maior volume de carne suína já exportado em um ano: 1,51 milhão de toneladas, segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). O número supera os 1,352 milhão de toneladas embarcadas em 2024, um avanço de cerca de 11,6%. A receita acompanhou o ritmo e foi além: US$ 3,619 bilhões, 19,3% acima dos US$ 3,033 bilhões do ano anterior, o que mostra que o país não vendeu só mais volume, vendeu a preços melhores também.
Dezembro fechou o ano em alta: 137,8 mil toneladas embarcadas, 25,8% a mais que em dezembro de 2024. Para quem acompanha o setor de perto, esse tipo de fechamento de ano costuma indicar que o próximo também começa forte, e a própria ABPA já projeta um novo avanço em 2026.
Filipinas dispara, China recua: o mapa mudou
O detalhe mais interessante de 2025 não é só o total, é para onde essa carne foi. As Filipinas se consolidaram como o grande motor do crescimento, enquanto a China, que por anos foi a locomotiva das exportações suínas brasileiras, perdeu força.
- Filipinas: 392,9 mil toneladas (+54,5% em relação a 2024)
- China: 159,2 mil toneladas (-33%)
- Chile: 118,6 mil toneladas (+4,9%)
- Japão: 114,4 mil toneladas (+22,4%)
- Hong Kong: 110,9 mil toneladas (+3,7%)
A queda chinesa tem explicação conhecida: depois do pico de reposição do rebanho pós-peste suína africana, a própria China aumentou a própria produção interna e passou a importar menos. Só que o Brasil não ficou esperando o mercado chinês se recuperar, foi buscar comprador em outro lugar, e as Filipinas responderam.

Terceiro maior exportador do mundo: a disputa com o Canadá
A projeção da ABPA é que o Brasil termine ultrapassando o Canadá e assuma a terceira posição no ranking mundial de exportadores de carne suína, atrás apenas da União Europeia e dos Estados Unidos. É importante marcar que isso ainda é uma projeção do setor, não um resultado fechado e certificado por um organismo internacional, mas o ritmo de crescimento brasileiro dos últimos anos dá sustentação ao prognóstico.
Para o produtor que não exporta diretamente, esse recorde ainda chega no bolso. Preço de exportação em alta e demanda forte lá fora tendem a sustentar o preço do suíno vivo aqui dentro, especialmente em praças exportadoras como Santa Catarina, oeste do Paraná e Mato Grosso. Já para quem compra carne no mercado interno, 2025 também trouxe um paradoxo conhecido do agro brasileiro: quanto mais o país exporta bem, mais a carne tende a disputar espaço com o consumo doméstico.

O que fica claro é que a suinocultura brasileira não cresceu por acaso em 2025. Cresceu girando o mapa de clientes rápido o suficiente para compensar a desaceleração chinesa, e isso é o tipo de agilidade comercial que poucos concorrentes conseguem replicar.