Frigorífico de Ovinos em Pernambuco Multiplica Vendas com Selo Federal

De abatedouro local a fornecedor para o Brasil inteiro

Em Dormentes, no sertão de Pernambuco, a Daterra Soluções se tornou o primeiro frigorífico de ovinos do estado certificado pelo Sisbi-POA, o sistema federal de inspeção de produtos de origem animal. O resultado prático surpreendeu até quem está dentro do negócio: as vendas mensais de carne saltaram de 7 para 70 toneladas depois da certificação.

Ovinos em área de pasto seco no semiárido

O salto não é mágica regulatória, é mercado: produto com selo federal pode ser vendido para qualquer estado do país, enquanto a inspeção estadual ou municipal limita o alcance comercial às fronteiras daquela unidade. Isso foi apresentado durante o Caprishow 2026, realizado em maio no próprio município de Dormentes, com participação do Ministério da Agricultura e Pecuária.

Pernambuco organiza toda a cadeia ao mesmo tempo

O avanço não ficou restrito ao frigorífico. A Agência de Defesa e Fiscalização Agropecuária de Pernambuco (Adagro) conquistou certificação Sisbi-POA em todas as áreas em que atua, com 21 estabelecimentos já registrados no sistema, o que amplia o mercado disponível para toda a indústria de origem animal do estado, não só para ovinos.

Rebanho de ovinos em região semiárida

O evento também confirmou o reconhecimento oficial da raça ovina Berganês, criada ao longo de cerca de 40 anos a partir do cruzamento entre Santa Inês e Bergamácia, com foco em rusticidade e adaptação ao semiárido. A certificação de origem da raça deve facilitar rastreabilidade e acesso a novos mercados.

E a produção de leite também entrou no pacote

Outra novidade foi o investimento de R$ 1,1 milhão em kits de produção de leite, beneficiando cerca de 50 famílias em Afrânio, Bodocó, Custódia, Flores e Venturosa, em parceria com o Instituto Federal do Sertão Pernambucano. A expectativa é que cada propriedade produza entre 80 e 200 litros de leite por dia com acompanhamento técnico.

Ovinos pastando em terreno árido

No semiárido pernambucano, a combinação de selo federal, raça reconhecida e investimento em leite mostra um caminho concreto: profissionalizar a caprinovinocultura não depende só de genética, depende também de burocracia sanitária bem resolvida.

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