A produção de ostras em Santa Catarina teve perdas de até 90% na temporada de 2026, segundo André Novaes, gerente do Centro de Desenvolvimento em Aquicultura e Pesca (Cedap) da Epagri. Em anos normais, a mortalidade de verão já fica entre 30% e 40%, o que dá uma ideia de quão fora da curva foi esse ano. A estimativa da reportagem é de cerca de 72 milhões de ostras perdidas só em 2026.

Por que o mar quente matou tanta ostra
A água do mar na região, que normalmente fica perto de 28°C, chegou a 34°C em janeiro e fevereiro de 2026. O calor reduz a oxigenação da água, e a ostra do Pacífico, espécie cultivada na região e batizada cientificamente de Crassostrea gigas, tolera mal temperaturas tão altas por tempo prolongado. O resultado foi mortalidade em massa nos cultivos.
Houve também uma proliferação de diatomáceas, possivelmente da espécie Haslea ostrearia, que deixou as ostras com uma coloração esverdeada. Mas, segundo análises iniciais da Epagri, essa alga não produz toxinas e não é apontada como causa das mortes, só um efeito visual que assustou quem via a água mudar de cor.
Quem mais produz, mais perde
Os municípios de Florianópolis, Palhoça, Bombinhas e Governador Celso Ramos respondem por mais de 90% de toda a maricultura catarinense, o que significa que a crise bateu justamente onde a atividade está mais concentrada. Para dar escala ao problema, o secretário estadual de Pesca e Aquicultura, Fabiano Muller Silva, citou que a produção catarinense de ostras costuma girar em torno de 8,7 mil toneladas por ano, com valor superior a R$ 48 milhões.
- Linha de crédito estadual de R$ 40 milhões para produtores afetados
- Até R$ 50 mil por produtor, sem juros, com pagamento em cinco anos
- Epagri estuda linhagens de ostra mais resistentes ao calor

A Epagri também discute alternativas de curto prazo, como aproveitar a carne da ostra cozida mesmo quando a concha não atinge o padrão comercial de venda ao natural, uma forma de reduzir o prejuízo direto do produtor enquanto a pesquisa por linhagens mais tolerantes ao calor avança. É um problema que não se resolve numa safra só, porque trocar a genética de um cultivo inteiro leva anos, e o mar, pelo visto, não está esperando.
