O estado que descobriu um nicho e não largou mais
Enquanto o resto do Brasil discute exportação de frango e carne bovina, Santa Catarina resolveu apostar em um bicho bem menor: a codorna. E não é pouca coisa. O estado se tornou, segundo levantamento do setor divulgado em fevereiro de 2026, o único no país a exportar carne de codorna em escala industrial, o que diz bastante sobre como um nicho pequeno pode virar negócio sério quando alguém decide profissionalizar a cadeia inteira.

O ciclo é soberano: uma única empresa catarinense consegue incubar até 44 mil ovos por lote, abater cerca de 17 mil aves por dia e fechar o mês com 40 toneladas de carne de codorna prontas para sair pelo Porto de Itajaí. Metade dessa produção já tem destino internacional.
Para onde vai a codorna catarinense
Os embarques chegam a dez países, divididos principalmente entre a América do Sul e o Oriente Médio. A Europa ainda está sendo “conquistada”, como dizem no próprio setor, o que sugere que o produto passou o teste de qualidade nos mercados mais exigentes antes mesmo de tentar o continente mais burocrático para sanidade animal.

Produção catarinense de ovos de codorna também cresceu com força: segundo dados da Pesquisa da Pecuária Municipal do IBGE relativos a 2025, divulgados em outubro de 2026, o estado lidera o valor da produção nacional, puxado por crescimento expressivo nos últimos anos.
Por que ninguém mais fez isso em escala
- Codorna exige abatedouro próprio dimensionado para lotes pequenos e frequentes, diferente da lógica de escala do frango.
- A exportação de carne in natura depende de habilitação sanitária específica, que poucos frigoríficos brasileiros buscaram até agora.
- O mercado interno de ovos de codorna, muito mais popular que a carne, já absorve boa parte da produção nacional, reduzindo o incentivo para investir em exportação de carne.

No fim das contas, Santa Catarina conseguiu algo que poucos estados fazem: transformar uma ave de quintal em produto de prateleira internacional. E a aposta parece estar só no começo, com o estado de olho em mercados europeus que ainda não compraram o produto.