A produção de leite de búfala no Brasil já passa de 20 milhões de litros por ano, segundo a Associação Brasileira de Criadores de Búfalos (ABCB). O rebanho bubalino nacional cresceu cerca de 20% na última década, e o detalhe mais interessante é para onde essa expansão está indo: não é mais só o Norte do país, berço histórico da criação, mas também o Sul e o Sudeste.

O Rio Grande do Sul entrando num jogo que não é dele
Desireé Möller, presidente da Associação Gaúcha de Criadores de Búfalos (Ascribu) e vice-presidente da ABCB, descreve a produção no Rio Grande do Sul como ainda concentrada, mas crescente. Um dos polos é o município de Glorinha, onde fica o Laticínio Kronhardt, hoje o principal fabricante de queijos de búfala do estado, e também Passo do Sobrado, com produção mais artesanal. A ABCB concede um Selo de Pureza para produtos feitos só com leite bubalino, uma forma de diferenciar o queijo de búfala do queijo comum no mercado.
Möller também afirma que o leite de búfala é classificado como A2A2 e teria menor potencial inflamatório que o leite de vaca, uma alegação que ela faz sem citar estudo específico, e que por isso vale tratar como opinião de quem está dentro do setor, não como fato fechado pela ciência.
Enquanto isso, no Marajó, o búfalo segue sendo dono do pedaço
Se o Sul é a fronteira nova, o Pará continua sendo o maior criador de búfalos do Brasil, com um rebanho estimado em quase 800 mil cabeças, dentro de um total nacional de 1.805.145 animais segundo o IBGE. Em Soure, no Marajó Oriental, a criação de búfalo já é tão entranhada na cultura local que virou atração turística: a Fazenda Mironga, a cerca de 5 km do centro da cidade, recebe pelo menos 500 visitantes por mês, segundo o proprietário e engenheiro agrônomo Carlos Gouvêa, conhecido como Tonga.
- Rebanho nacional: 1.805.145 cabeças, segundo o IBGE
- Rebanho no Pará: cerca de 800 mil cabeças
- Produção de leite de búfala no Brasil: mais de 20 milhões de litros por ano
- Crescimento do rebanho bubalino na última década: cerca de 20%

São dois modelos de negócio bem diferentes rodando ao mesmo tempo: no Marajó, o búfalo puxa turismo e tradição, com passeios guiados por moradores como Walter Ferreira, que há oito anos leva visitantes de búfalo pela praia da Barra Velha. No Sul, o foco é o laticínio de nicho, queijo certificado vendido como produto premium. O animal é o mesmo, mas o Brasil está aprendendo a tirar dele coisas bem diferentes dependendo da região.
