Mormo em Cavalos: Doença Rara Ainda Circula no Brasil e Pode Afetar Humanos

Uma doença que a maioria dos criadores nunca ouviu falar

O mormo é uma infecção bacteriana que atinge equídeos (cavalos, burros, mulas), causada pela bactéria Burkholderia mallei e transmitida por secreções nasais, oculares e orais, além de fezes e urina de animais doentes. O detalhe que deveria preocupar mais gente: ela também pode infectar seres humanos.

Cavalo em baia de estábulo

Levantamento de uma tese orientada por pesquisadores da Embrapa Gado de Corte, publicada em 2024, mapeou 3.164 casos confirmados no Brasil entre 1999 e 2021. Não é uma epidemia explosiva, mas é uma doença que nunca desapareceu e que segue circulando silenciosamente em plantéis equinos país afora.

O impasse do diagnóstico que incomoda o setor

A regra hoje é dura: animal que testa positivo precisa ser sacrificado, sem exceção. O problema, segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), é que o protocolo atual de diagnóstico sorológico não garante com segurança que todo resultado positivo corresponda a um animal realmente infectado.

Cavalos em estábulo rural

Pio Guerra, presidente da Federação da Agricultura de Pernambuco, chegou a pedir publicamente um protocolo mais seguro, que evite sacrifícios desnecessários de animais saudáveis. Do outro lado, o pesquisador Flabio Araújo, da Embrapa Gado de Corte, trabalha em um projeto para caracterizar as cepas brasileiras da bactéria e desenvolver um teste sorológico mais rápido e confiável, com apoio de um banco de soros formado a partir de infecção experimental controlada.

O que isso significa para quem cria cavalos

  • O Ministério da Agricultura segue as recomendações da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) para vigilância e controle da doença.
  • Qualquer suspeita deve ser notificada ao serviço veterinário oficial, já que o mormo é doença de notificação obrigatória no país.
  • Animais importados ou com histórico de trânsito intenso entre estados merecem atenção redobrada, dado o papel da movimentação na disseminação.
Cavalo em área de manejo

Até que o novo teste saia do papel, o setor equino brasileiro convive com uma equação desconfortável: uma doença rara, mas real, que pode custar a vida de um animal com base em um diagnóstico que os próprios criadores questionam.

Deixe uma resposta

Compartilhar

Share on facebook
Facebook
Share on linkedin
LinkedIn
Share on telegram
Telegram
Share on whatsapp
WhatsApp

TAMBÉM QUER SEU ANÚNCIO AQUI? ENTRE EM CONTATO

Translate »