O Brasil chegou a 2026 completando uma década sem registrar nenhum caso de raiva humana transmitida por cães, pelas variantes do vírus conhecidas como AgV1 e AgV2. É uma vitória de saúde pública que poucos países tropicais conseguem comemorar, e o Ministério da Saúde credita o resultado à vacinação em massa de cães e gatos mantida ano após ano, incluindo ações de fronteira com países vizinhos.

Campanha de fronteira junta Brasil, Bolívia e Peru
Em agosto de 2026, o ministério abriu a Campanha de Vacinação Antirrábica Canina e Felina na Fronteira, em Acre, Rondônia e Mato Grosso do Sul, reunindo os três países num esforço conjunto. O Brasil forneceu vacinas, materiais de vacinação e equipamentos como caixas térmicas e termômetros, e também apoiou atividades de imunização do lado boliviano e peruano da fronteira. Faz sentido: raiva não respeita linha de fronteira em mapa, e proteger só o lado brasileiro deixaria a porta entreaberta.

O vírus não desapareceu, só mudou de hospedeiro
Aqui está o ponto que a boa notícia não pode esconder: entre 2016 e 2026, o Brasil confirmou 37 casos de raiva humana, todos ligados a animais silvestres, não a cães. Morcegos responderam por 22 desses casos, primatas por 7, e o restante envolveu outras espécies selvagens, incluindo raposas. Ou seja, a variante canina foi controlada, mas o vírus da raiva continua circulando tranquilamente entre morcegos e outros animais silvestres do país.
- 10 anos sem caso de raiva humana transmitida por cães no Brasil, variantes AgV1 e AgV2.
- 37 casos de raiva humana confirmados entre 2016 e 2026, todos de origem silvestre.
- Morcegos foram responsáveis por 22 dos 37 casos; primatas, por 7.
- Campanha de fronteira em agosto de 2026 uniu Brasil, Bolívia e Peru na vacinação de cães e gatos.

O que fazer diante de mordida ou arranhão
A orientação do Ministério da Saúde é simples e vale repetir: diante de mordida, arranhão ou contato com saliva de qualquer mamífero, inclusive doméstico, buscar atendimento de saúde imediatamente, sem esperar para ver se vai dar problema. O profissional de saúde avalia o caso e pode indicar vacina, soro ou imunoglobulina, dependendo do tipo de exposição e do animal envolvido. A raiva, uma vez que os sintomas começam, não tem cura conhecida. A prevenção, essa sim, está disponível e funciona, como os últimos dez anos mostram.