A produção brasileira de peixes de cultivo fechou 2025 em 1,011 milhão de toneladas, alta de 4,41% sobre o ano anterior, segundo levantamento da Peixe BR. É a primeira vez que o país passa da marca de 1 milhão de toneladas nessa conta, e boa parte do crédito vai para uma só espécie: a tilápia, que sozinha respondeu por 707,5 mil toneladas, cerca de 70% de tudo que foi produzido.

Brasil ainda come pouco peixe para o tamanho da produção
Aqui está o contraste que chama atenção: mesmo com a produção batendo recorde, o brasileiro consome em média 12,6 kg de peixe por ano, segundo o Anuário Seafood Brasil. A média mundial é de 21,3 kg, de acordo com o relatório SOFIA 2026 da FAO. Ou seja, o Brasil produz cada vez mais, mas ainda está bem abaixo do consumo per capita do resto do mundo. Tem espaço de sobra para crescer vendendo para dentro de casa, sem nem precisar de novo mercado de exportação.

O mundo também está virando a chave da aquicultura
O cenário brasileiro acompanha uma mudança maior: segundo a FAO, a produção global de animais aquáticos e algas chegou a 235 milhões de toneladas, sendo 195 milhões só de animais, e a aquicultura superou 100 milhões de toneladas por conta própria pela primeira vez na história. O comércio internacional do setor movimentou US$ 184 bilhões. Isso quer dizer que peixe de cativeiro deixou de ser alternativa de nicho e virou parte estrutural de como o planeta vai alimentar a população que só cresce.
- Produção brasileira de peixes de cultivo em 2025: 1,011 milhão de toneladas (Peixe BR), alta de 4,41%.
- Tilápia responde por 707,5 mil toneladas, cerca de 70% do total nacional.
- Consumo brasileiro: 12,6 kg/habitante/ano, contra média mundial de 21,3 kg (FAO, SOFIA 2026).
- Produção global de animais aquáticos passou de 195 milhões de toneladas, e a aquicultura superou 100 milhões de toneladas.

Exportação sofreu, mas há sinal de virada
A notícia boa da produção não se repetiu nas vendas externas: no primeiro trimestre de 2026, a receita das exportações brasileiras de peixe caiu 39% e o volume caiu 41%, depois que os Estados Unidos impuseram tarifas sobre o setor. A Abipesca, entidade que representa a indústria pesqueira, projeta recuperação a partir da isenção concedida a alguns produtos, com exportações podendo chegar a US$ 600 milhões no ano. Ricardo Torres, head de portfólio da Seafood Show Latin America, resume o momento dizendo que “o mercado de pescado é global e interconectado”, e que o Brasil ainda pode ampliar bastante sua participação no cenário internacional, mesmo depois do tropeço recente.