A Consultoria Agro do Itaú BBA projeta alta de 4% nas exportações brasileiras de carne de frango em 2026, com a produção crescendo 2%. O motivo citado pelo banco é direto: custo de ração mais controlado, puxado por boas safras de soja e milho. Até aqui, nada surpreendente. O detalhe mais interessante aparece quando se compara essa projeção com a do USDA, o departamento de agricultura dos Estados Unidos, que é mais otimista: alta de 5,5% para as exportações brasileiras, algo como 250 mil toneladas extras.
O Brasil cresce, mas a China cresce mais rápido
O USDA também projeta a produção global por país: China com alta de 3,1%, Brasil com 1,6% e Estados Unidos com 1%. Isso quer dizer que o Brasil, mesmo crescendo, perde participação relativa num mercado que a China está disputando com força. A China, aliás, virou exportadora de peso: cerca de 1,2 milhão de toneladas previstas, praticamente empatada com a Tailândia, a quarta maior exportadora mundial. Há só três anos, a China exportava perto de 500 mil toneladas. Triplicou.

Paraná sozinho exporta mais que muitos países
Enquanto isso, no chão de fábrica brasileiro, o Paraná segue carregando o piano: produziu cerca de 5 milhões de toneladas em 2025, perto de 35% de todo o frango nacional, e exportou 2,05 milhões de toneladas, com receita de US$ 3,53 bilhões, para 150 mercados diferentes. Os principais compradores foram Emirados Árabes Unidos, China, México, Japão e Arábia Saudita. Já o Rio Grande do Sul fechou 2025 com 686,3 mil toneladas exportadas, queda de 0,77%, e receita de US$ 1,24 bilhão, abatendo cerca de 808 milhões de aves.

A barreira que ninguém está comentando: antimicrobianos
Desde 3 de setembro de 2026, a União Europeia restringiu as importações de carne de frango e ovos do Brasil por questões de controle de resíduos de antimicrobianos, sem qualquer relação com contaminação alimentar. É um tipo de barreira diferente da gripe aviária, que costuma dominar manchete: não é uma emergência sanitária pontual, é uma exigência técnica permanente sobre como o antibiótico é usado na granja. Vale ficar de olho, porque esse é o tipo de barreira que não se resolve com zoneamento, e sim com mudança de protocolo de manejo.
- Itaú BBA projeta exportações brasileiras de frango com alta de 4% em 2026, e produção com alta de 2%.
- USDA projeta algo mais otimista: alta de 5,5% nas exportações, cerca de 250 mil toneladas extras.
- China deve exportar cerca de 1,2 milhão de toneladas, triplicando o volume de três anos atrás.
- Paraná concentrou 35% da produção nacional em 2025, com exportação para 150 mercados.

O risco que pode zerar qualquer projeção
O próprio Itaú BBA aponta o maior risco para o setor em 2026: biossegurança, em especial o controle de eventuais casos de gripe aviária. Faz sentido. Basta um foco confirmado em granja comercial para dezenas de países suspenderem compra do dia para a noite, como já aconteceu no Brasil mais de uma vez nos últimos anos. Então, por mais sólida que seja a matemática da ração mais barata e da safra recorde de milho, ela depende de uma variável que ninguém controla totalmente: o que acontece dentro do galpão.