Quando se fala em agronegócio de exportação, a imagem que vem à cabeça costuma ser grande empresa, grande fazenda, grande escala. O mel piauiense quebra esse padrão. O Piauí se tornou o maior exportador de mel do Brasil, e cerca de 93% dessa produção vem de agricultores familiares, não de corporações.

Os números da exportação
Segundo reportagem do Movimento Econômico, em 2023 o Piauí faturou US$ 31,196 milhões exportando 10.123 toneladas de mel, a um preço médio de US$ 3,08 por quilo. Os principais destinos foram Estados Unidos, Alemanha, Canadá, Bélgica e Reino Unido. É dinheiro entrando no estado através de um produto que sai, majoritariamente, de quintais e pequenas propriedades no interior.
Mais de 10 mil famílias trabalham com apicultura no Piauí, e mais de 90% dessa produção já tem certificação de produto orgânico, segundo a mesma reportagem. Isso não é pouca coisa: certificação orgânica em escala de agricultura familiar exige organização, assistência técnica e cooperativismo bem estruturado.
Crescimento de 432% em dez anos
Os dados do IBGE citados na reportagem mostram uma curva de crescimento e tanto: a produção de mel no Piauí saiu de 1.563 toneladas em 2012 para 8.321 toneladas em 2022, um salto de 432% em uma década. Para contextualizar esse volume, a reportagem cita o apicultor Luiz Henrique Oliveira, de 28 anos, que vive na localidade Fava, no município de Isaías Coelho, uma das regiões onde a atividade se consolidou.

Quem organiza esse exército de pequenos produtores
- A Secretaria da Agricultura Familiar do Piauí, a SAF-PI, distribui colmeias, equipamentos de proteção e insumos, além de apoiar obras de casas de mel.
- Francisco das Chagas Ribeiro, conhecido como Chicão, diretor de Projetos para os Territórios do Semiárido da SAF, acompanha de perto o trabalho nas comunidades.
- Cooperativas e centrais de cooperativas são o canal pelo qual boa parte desse mel chega ao mercado internacional, já que produtor individual não exporta sozinho com a mesma facilidade.

O que esse modelo ensina para outros estados
O caso do Piauí mostra algo que nem sempre aparece nas manchetes do agro brasileiro: dá para competir no mercado internacional sem depender de agroindústria concentrada, desde que exista política pública de distribuição de insumos, cooperativismo funcionando de verdade e um produto, como o mel, que se beneficia do selo orgânico sem exigir escala industrial para produzir. Não é um modelo fácil de replicar da noite para o dia, mas é prova de que agricultura familiar e exportação não são conceitos opostos.