Falta de Vacina Contra Influenza Equina Faz DF e Goiás Suspenderem Exigência

Não é todo dia que um estado suspende uma exigência sanitária por falta do próprio insumo que deveria ser aplicado. Foi o que aconteceu em março de 2026 com a vacina contra influenza equina: o desabastecimento ficou tão sério que Goiás e o Distrito Federal tiveram que recuar da obrigatoriedade, mesmo sabendo que isso deixa uma brecha sanitária aberta.

Grupo de cavalos pastando em campo aberto

Setenta por cento das doses desapareceram do mercado

Segundo o Mapa, citado pela Agrodefesa de Goiás, houve uma retirada abrupta de aproximadamente 70% das doses disponíveis no mercado brasileiro, consolidando um cenário de desabastecimento crítico. Foi esse relatório que levou o próprio ministério a recomendar a suspensão temporária da obrigatoriedade.

Goiás suspendeu a exigência de vacinação na quinta-feira, 5 de março de 2026. No dia seguinte, a Secretaria de Agricultura do DF publicou portaria retirando a exigência do atestado de vacinação contra influenza equina para a emissão da Guia de Trânsito Animal, a GTA. A Agrodefesa classificou a medida como excepcional e temporária, alinhada à recomendação federal e à decisão de outros estados.

Pessoa ao lado de cavalo em contexto de manejo veterinário

Por que suspender em vez de simplesmente esperar a vacina voltar

A lógica por trás da decisão não é ignorar o risco sanitário, é evitar um risco econômico maior e imediato: manter a exigência de comprovação vacinal sem vacina disponível no mercado travaria o trânsito de equídeos entre propriedades e estados, e isso poderia levar à suspensão de atividades agropecuárias inteiras, de provas e leilões a simples manejo de rotina entre fazendas.

Fernando Gonçalves, presidente do Sindicato dos Criadores de Bovinos, Bubalinos e Equídeos do DF, colocou a situação em perspectiva: o Distrito Federal tem o segundo maior rebanho de equinos esportivos do país, e boa parte dos animais ainda está imunizada, já que a vacina tem validade de um ano. O risco maior, segundo ele, está nos próximos meses, com a chegada do inverno e a aglomeração de cavalos em eventos e competições.

Um problema que começou numa dependência só

  • Gonçalves afirmou que o Brasil dependia de um único laboratório para abastecer o mercado de vacina contra influenza equina.
  • Ele sugeriu abrir ou subsidiar exportações para que o país não fique na mão de um fornecedor só.
  • O Metrópoles procurou o Mapa para comentar o caso, mas não obteve resposta até a publicação da matéria, em 10 de março de 2026.
Cavalo em estábulo durante período de restrição sanitária

O que fica de lição para o criador

Depender de um fornecedor único para um insumo sanitário crítico é um risco que só fica visível quando a cadeia de suprimento falha, e foi exatamente isso que aconteceu aqui. Enquanto o mercado não se normaliza, a recomendação prática para quem cria equinos é redobrar outros cuidados de biosseguridade, evitar aglomerações desnecessárias e ficar de olho na validade da última dose aplicada, já que ela ainda protege o animal por até um ano.

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