O Brasil ultrapassou o Canadá e assumiu a terceira posição no ranking mundial de exportadores de carne suína, atrás apenas da União Europeia e dos Estados Unidos. O anúncio é da Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS) e tem data certa: em 2025 o país embarcou 1,51 milhão de toneladas, segundo a ABPA, um recorde histórico e alta de 11,6% sobre o ano anterior. O Canadá, que perdeu o posto, ficou com cerca de 1,45 milhão de toneladas segundo dados do próprio governo canadense divulgados em março. A diferença folgada: 50 mil toneladas.

Capilaridade na Ásia puxou o crescimento
Segundo a ABCS, o salto nas exportações veio de uma combinação de fatores: abertura de novos mercados e, nas palavras usadas pela entidade, “forte capilaridade em destinos asiáticos”. O texto da associação não detalha país por país, mas o movimento confirma algo que quem acompanha a suinocultura já vinha sentindo desde 2023: a Ásia virou destino estratégico para quem exporta proteína animal, não só soja e milho.
Consumo interno também bateu recorde
Enquanto o produto brasileiro ganhava espaço fora, o consumo dentro de casa também cresceu: a ABCS registrou 20 quilos de carne suína por habitante ao ano em 2025, a maior marca histórica do país. Ou seja, não é uma história de produzir para fora e esquecer o mercado interno. As duas pontas cresceram juntas, o que normalmente é sinal de que a cadeia está bem dimensionada, sem gargalo forçando a exportar o excedente a qualquer preço.

Validou o trabalho, diz presidente da ABCS
Marcelo Lopes, presidente da ABCS, resumiu o resultado como uma validação do trabalho que produtores vêm fazendo há anos: investimento em sanidade, produtividade, tecnologia, genética e bem-estar animal. Não é retórica vazia. Ultrapassar o Canadá em volume exportado, com um rebanho que historicamente carrega o estigma internacional de risco sanitário, é prova de que o pacote de biosseguridade adotado pelo setor nos últimos anos funcionou na prática, não só no discurso.
- 1,51 milhão de toneladas exportadas em 2025 (ABPA), alta de 11,6% sobre o ano anterior.
- Canadá exportou cerca de 1,45 milhão de toneladas no mesmo período.
- Consumo interno brasileiro chegou a 20 kg por habitante ao ano, recorde histórico (ABCS).
- Posição no ranking mundial: 3º lugar, atrás apenas de União Europeia e Estados Unidos.

O que vem depois do 3º lugar
Ficar entre os três maiores do mundo muda o jogo de outra forma: qualquer embargo sanitário, qualquer rodada de negociação comercial, qualquer barreira tarifária passa a envolver volumes grandes demais para qualquer parceiro comercial ignorar. É também mais pressão: o Brasil está livre de peste suína africana, ao contrário de boa parte da Ásia e da Europa, e manter esse status sanitário virou tão estratégico quanto abrir um novo mercado.