O Brasil vai trocar o ferro em brasa pelo brinco eletrônico. O MAPA (Ministério da Agricultura e Pecuária) anunciou em dezembro de 2024 o PNIB, o Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, e a partir de 2027 a identificação individual passa a ser obrigatória, não mais voluntária, depois de uma negociação longa com o setor produtivo que até então defendia um sistema opcional.

O cronograma é dividido em etapas
Entre 2025 e 2026 roda a fase de adaptação, com construção do banco de dados e testes técnicos do sistema. A partir de 2027 começa a obrigatoriedade de fato: animais em protocolos privados e rebanhos sob manejo sanitário obrigatório, como o da vacinação contra brucelose, precisam estar identificados com brinco, enquanto a marcação a fogo começa a ser substituída. Até 2032 a meta é ter o sistema totalmente operacional, com 100% dos animais destinados ao abate identificados individualmente, incluindo a primeira movimentação, como a saída do bezerro da cria para a recria ou o confinamento.
Um dos grupos de trabalho que ajudou a desenhar o plano fala em um período de transição de oito anos a partir da entrega do sistema pelo ministério: dois anos para entregar o sistema integrado com os controles estaduais, três anos para identificar as fêmeas do protocolo obrigatório de brucelose, e mais três para estender a movimentação a todo o rebanho nacional. Já o ministro, em declarações públicas, fala em um programa de sete anos. Os dois números não fecham exatamente, o que é normal nessa fase inicial de um programa dessa escala.

O Sisbov já existe desde 2002, mas só para quem exporta
O Brasil não está inventando identificação individual do zero. O Sisbov, sistema de rastreabilidade que atende exigências da União Europeia, roda desde 2002, mas sempre foi restrito a quem exporta carne para lá. O PNIB expande essa lógica para o rebanho nacional inteiro, independente de destino de exportação, e isso muda o jogo: o custo do brinco de identificação, estimado em R$ 8 por cabeça, passa a ser uma despesa de praticamente todo produtor, não só de quem já joga no mercado europeu.
O Pará já saiu na frente dentro desse movimento: o estado anunciou um plano próprio para ter 100% do rebanho rastreado até o fim de 2025, dois anos antes da obrigatoriedade nacional entrar em vigor.

Por que isso pesa mais para o pecuarista pequeno
R$ 8 por cabeça parece pouco até multiplicar pelo tamanho do rebanho e somar o custo de aplicação, leitura e manutenção do sistema de registro. Para quem já roda um sistema de gestão individual por outros motivos, como controle reprodutivo ou seleção genética, o PNIB é quase uma formalização do que já era feito. Para quem nunca individualizou um animal na vida, é uma mudança de rotina operacional inteira, com prazo definido e sem muita margem para adiar.