Depois de uns anos apertados, o produtor de suíno parece finalmente ter motivo para respirar: o Cepea projeta para 2026 uma exportação de cerca de 1,44 milhão de toneladas de carne suína, 6,3% a mais que em 2025. O Brasil ocupa desde 2023 a 3ª posição entre os maiores exportadores mundiais, segundo o USDA, e esses números, se confirmados, têm potencial de melhorar ainda mais essa posição.
Filipinas sobe, China despenca, México sustenta
As Filipinas seguem como o principal parceiro comercial, com alta esperada de 7% nas compras em 2026, e já responderam por mais de 22% do total exportado entre janeiro e setembro, ainda que os embarques tenham caído entre junho e setembro. A China, segundo maior destino, está no caminho inverso: entre 2021 e a parcial de 2025, o volume enviado para lá caiu mais de 70%. O México deve ampliar a demanda pela carne brasileira, ajudando a compensar parte dessa perda chinesa. No acumulado de janeiro a setembro de 2026, as exportações já somam cerca de 1,18 milhão de toneladas, alta de 6,23% sobre o mesmo período de 2025.
O consumo interno também ajuda a sustentar o preço
A ABPA projeta consumo per capita de carne suína em 19,5 kg em 2026, alta de 2,5%, enquanto o Cepea estima crescimento de 4% na produção, para 5,88 milhões de toneladas. Os preços internos devem seguir em patamares elevados e com menos volatilidade: em 2025, algumas praças ficaram estáveis por quatro a seis semanas seguidas. Em São Paulo, o suíno vivo chegou a R$ 6,93 por quilo em 21 de outubro, alta de quase 20% só no mês, reflexo direto do milho mais barato com a expectativa de safra recorde (a Conab projeta 148 milhões de toneladas de milho e 181,6 milhões de soja para 2026/27).
“O pior já passou”, mas 2027 ainda é incerto
Marcelo Lopes, presidente da ABCS, resumiu o momento de um jeito direto: “parece que o pior desta crise já passou”, mas evitou se comprometer com o ano seguinte, dizendo que “ainda é cedo para prever” 2027. Enquanto isso, o setor segue investindo de olho no médio prazo: a Coopavel, no Paraná, toca o Projeto 35, que tem como meta chegar a 35 leitões desmamados por matriz por ano até 2031, com execução entre 2027 e 2031. A unidade UPL II do projeto deve alcançar 20 mil matrizes até março de 2027, com investimento superior a R$ 100 milhões, segundo o presidente Dilvo Grolli. É o tipo de aposta que só faz sentido para quem acredita que esse ciclo bom vai durar mais que um ano.