A piscicultura brasileira fechou 2025 em 1.011.540 toneladas produzidas, alta de 4,41% sobre 2024, segundo a Peixe BR, a associação brasileira de piscicultura. É a primeira vez que o setor passa da marca de 1 milhão de toneladas, e quem carrega esse resultado nas costas tem nome e sobrenome: Oreochromis niloticus, a tilápia.
A tilápia já é 7 em cada 10 quilos produzidos
A produção de tilápia somou 707.495 toneladas em 2025, crescimento de 6,83% no ano e cerca de 70% de todo o peixe cultivado no Brasil. Desde 2015 o acumulado passa de 148%, o que não é um crescimento, é praticamente uma troca de patamar. O Paraná segue na liderança isolada com 273.100 toneladas, seguido por São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul, com o Sul do país puxando a expansão mais rápida. Os peixes nativos, por outro lado, tiveram leve queda, somando 257.070 toneladas, concentradas principalmente no Norte e Centro-Oeste.

Os EUA compram quase tudo, e isso é motivo de alívio e de preocupação
A receita com exportação somou US$ 60 milhões em 2025, com leve queda no volume embarcado mas alta de 2% no valor, puxada pelo filé fresco e, com força crescente, pelo filé congelado. Os Estados Unidos sozinhos levaram cerca de 87% de tudo que o Brasil exportou de peixe no ano, depois que uma decisão da Suprema Corte americana derrubou medidas tarifárias da era Trump e destravou parte do comércio. Francisco Medeiros, presidente executivo da Peixe BR, aposta que o Brasil pode assumir a liderança mundial da produção de tilápia nos próximos anos, com investimento em genética, nutrição, manejo e processamento. Mas tem um detalhe incômodo: a tilápia vietnamita entrou no Brasil em 2025 somando cerca de US$ 1,5 milhão, vendida a preços abaixo do praticado aqui dentro.

O gargalo não é genética, é ração e licença ambiental
César de Paula Moreira, consultor da BN ACQUA, lembra que a ração pode chegar a 70% do custo total em sistemas intensivos, o que torna “a nutrição eficiente aliada fundamental em momentos de volatilidade”, nas palavras dele. Soma-se a isso a demora no licenciamento ambiental em vários estados, que trava o acesso ao crédito rural e a expansão de novas unidades. Marilsa Patrício, secretária executiva da Peixe SP, resumiu o clima do setor de um jeito direto: “a aquicultura brasileira volta a sorrir”. O ciclo de produção da tilápia dura cerca de oito meses, então as decisões de hoje em genética e manejo só aparecem no caixa daqui a dois terços de ano, o que exige planejamento, não euforia.