Parto em Éguas: os Sinais que Mostram que Está Próximo

Égua não avisa com antecedência como a gente gostaria. O corpo dela vai dando pistas nos últimos dias de gestação, mas quem cuida precisa saber ler esses sinais, porque quando o trabalho de parto realmente começa, tudo acontece rápido. Diferente da vaca, que costuma levar horas no estágio de expulsão, a égua normalmente resolve isso em 20 a 30 minutos. Se algo sair errado nessa janela curta, não sobra muito tempo para reagir.

Égua e potro recém-nascido pastando juntos em campo verde

A gestação equina não segue um calendário fixo

A média gira em torno de 340 dias, mas o intervalo normal vai de 320 a 380 dias sem que isso indique nenhum problema. O trabalho clássico de O.J. Ginther sobre fisiologia reprodutiva equina já mostrava essa variação enorme entre éguas, e até entre gestações da mesma égua. Por isso contar dias no calendário serve só como referência, não como previsão. O que realmente importa observar são as mudanças físicas que aparecem na reta final.

O útere da tetas é o sinal mais confiável

Nos últimos 2 a 4 dias antes do parto, as tetas costumam ficar cheias e um material ceroso, chamado de wax ou cera, se acumula nas pontas. Esse acúmulo de colostro secando na ponta do teto é um dos indicadores mais usados nas fazendas, embora nem toda égua faça isso de forma visível. Pesquisas do grupo de Igor Canisso, da Universidade de Illinois, avançaram bastante na predição de parto através de testes de eletrólitos no colostro, medindo cálcio, sódio e potássio na secreção mamária. Quando o cálcio sobe acima de determinado limiar, a chance de parto nas próximas 24 a 48 horas aumenta consideravelmente. Muitos haras hoje usam faixas reagentes simples para acompanhar isso dia a dia.

Égua de pelagem branca observada de perto, indicando avaliação clínica

Mudanças no corpo e no comportamento

O ligamento pélvico relaxa e a região ao redor da base da cauda afunda visivelmente, um sinal que quem já lidou com éguas prenhas reconhece de longe. A vulva alonga e relaxa também. No comportamento, a égua fica inquieta, anda de um lado para o outro, olha para o próprio flanco, sua em excesso mesmo em noites frias e pode se deitar e levantar várias vezes seguidas. Isso costuma acontecer à noite. A maioria das éguas pare durante a madrugada, provavelmente um comportamento herdado de ancestrais selvagens que buscavam parir longe de predadores, quando o resto do grupo estava quieto.

Cavalos em baia durante a noite, período típico de monitoramento do parto

Os três estágios, e por que o terceiro não pode ser ignorado

O primeiro estágio é a inquietação que já descrevi, pode durar de 1 a 4 horas. O segundo é a expulsão do potro propriamente dita, rápido, geralmente 20 a 30 minutos. O terceiro estágio é a saída da placenta, e aqui mora um detalhe que muita gente esquece: se a placenta não sair em até 3 horas, isso já é considerado retenção de placenta e vira emergência veterinária, porque o risco de laminite e infecção sistêmica sobe rápido depois disso. Juan Samper, referência em reprodução equina na América do Norte, costuma reforçar esse ponto em seus cursos: acompanhar o pós-parto imediato é tão importante quanto acompanhar o parto em si.

Na prática, quem cria cavalos e pode se planejar costuma armar um sistema de monitoramento nos últimos dias, seja uma câmera, seja plantão dividido entre pessoas da fazenda. Não existe fórmula perfeita para prever a hora exata. Mas juntando o wax nas tetas, o relaxamento da vulva, a inquietação noturna e, quando disponível, o teste de eletrólitos no colostro, dá para reduzir bastante a margem de erro e estar por perto quando realmente importa.

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