4 Comportamentos Estranhos de Vacas Que Na Verdade São Sinais de Dor

Vaca não reclama. Literalmente não consegue, é um animal de presa, e na natureza mostrar fraqueza é praticamente um convite pro predador escolher você primeiro. Esse instinto não sumiu só porque o bicho hoje vive cercado e bem alimentado, então o gado continua escondendo dor até o ponto em que não dá mais pra disfarçar. Quem cuida do rebanho no dia a dia consegue pegar os sinais bem antes disso, mas só se souber o que procurar, porque a maioria não parece nada com o que a gente costuma imaginar como sofrimento.

Rosto de vaca de perto, expressões faciais fazem parte das escalas de dor usadas em bovinos

1. Ranger os dentes (bruxismo)

Aquele barulho de dente raspando em dente, que muita gente confunde com o animal só remoendo o bolo alimentar, costuma ser sinal de dor visceral, principalmente ligada ao aparelho digestivo. Pesquisas em bem-estar animal, incluindo trabalhos do grupo de Daniel Weary no Animal Welfare Program da University of British Columbia, associam o bruxismo persistente a quadros como acidose, deslocamento de abomaso e outras dores abdominais. Não é frequência normal de ruminação, é um som mais seco, mais insistente, e geralmente vem acompanhado do animal parado, sem interesse em comer.

2. Postura com a coluna arqueada

A veterinária dinamarquesa Karin Gleerup, da Universidade de Copenhague, publicou em 2015 uma das escalas mais usadas hoje pra avaliar dor em bovinos a partir de sinais visuais, o chamado Cow Pain Scale. Um dos itens centrais dessa escala é justamente a postura da coluna: animal com dor tende a arquear as costas, quase encolhendo o corpo, em vez de manter a linha reta e relaxada que é padrão num bovino saudável. Junto disso, geralmente aparecem as orelhas caídas ou voltadas pra trás e um olhar mais fechado, com a pálpebra semicerrada.

Vaca sozinha, isolamento social pode ser sinal comportamental de dor no rebanho

3. Se afastar do grupo

Bovino é animal de manada, então quando um indivíduo começa a comer sozinho, deitar longe dos outros ou parar de acompanhar o grupo no deslocamento pro cocho, isso chama atenção. Não é birra nem má vontade, é o mesmo instinto de esconder fraqueza que citei lá em cima, só que expresso espacialmente: o animal se afasta porque, biologicamente falando, ficar na periferia do grupo doente reduz a chance de virar alvo fácil. Produtor que anda todo dia pelo lote e conhece o comportamento normal de cada animal pega essa mudança muito antes de qualquer exame clínico confirmar o problema.

4. Queda ou parada da ruminação

Esse é provavelmente o sinal mais mensurável de todos, e por isso virou a base de vários sensores de rúmen usados hoje em pecuária de precisão. Uma vaca saudável rumina em média entre 7 e 9 horas por dia, distribuídas em vários períodos ao longo do dia e da noite. Queda brusca nesse tempo, mesmo antes de qualquer outro sintoma aparecer, é um dos indicadores mais precoces de dor ou desconforto, seja de origem digestiva, podal ou reprodutiva. É justamente por isso que colar de monitoramento de ruminação virou ferramenta tão popular em fazenda leiteira nos últimos anos.

Boi da raça Hereford em pastagem, observação diária do rebanho ajuda a identificar sinais precoces de dor

Nenhum desses quatro sinais sozinho fecha diagnóstico. Mas quando dois ou três aparecem juntos, vale muito mais chamar o veterinário cedo do que esperar o animal parar de comer de vez, porque nesse ponto a dor já está avançada há dias, só que ninguém tinha aprendido a ler os avisos antes.

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