Santa Catarina confirmou um segundo foco da doença de Newcastle em menos de dez dias, e a notícia pegou o setor avícola catarinense ainda tentando se recuperar do primeiro susto. O novo caso foi identificado em um estabelecimento avícola de Coronel Freitas, dentro da própria área de restrição sanitária criada depois do foco inicial em Nova Itaberaba, confirmado em 18 de outubro de 2026 numa criação comercial de perus de corte.

Por que o segundo foco preocupa mais que o primeiro
Um foco isolado já é ruim. Dois na mesma região, em menos de duas semanas, sugerem que o vírus circulou mais do que o esperado antes de ser detectado. O Ministério da Agricultura e Pecuária confirmou o novo caso em 27 de outubro e classificou como foco novo, não como desdobramento tardio do primeiro. As aves da propriedade de Coronel Freitas estão sendo abatidas em despovoamento sanitário, o procedimento padrão para conter a disseminação do paramixovírus aviário tipo 1, causador da doença.
A Portaria Mapa nº 962 de 2026, publicada um dia depois da primeira confirmação, já havia declarado estado de emergência zoossanitária por 60 dias em quatro municípios: Nova Itaberaba, Águas Frias, Coronel Freitas e Nova Erechim. Com o segundo foco dentro dessa mesma área, o Ministério ajustou os limites da zona de restrição, mas não ampliou o número de municípios atingidos.

Pombos testaram positivo, mas isso não é foco
Outro detalhe chamou atenção dos técnicos: o Mapa confirmou a presença do paramixovírus aviário tipo 1 em pombos encontrados fora da área de emergência. Segundo os critérios da Organização Mundial de Saúde Animal, a OMSA, isso não configura foco da doença, porque pombos urbanos circulam livremente e não fazem parte da cadeia produtiva comercial. Ainda assim, o achado reforça que o vírus está mais presente no ambiente do que uma única granja infectada sugeriria, e isso é o tipo de informação que os serviços de vigilância sanitária não podem ignorar.
A doença de Newcastle não afeta humanos de forma significativa, mas é extremamente contagiosa entre aves e pode devastar um lote em poucos dias. Por isso a resposta sanitária brasileira segue o protocolo de zonas concêntricas: a propriedade afetada é despovoada, uma área de proteção mais próxima recebe vigilância intensiva, e uma área de vigilância mais ampla monitora qualquer sinal de disseminação.

O que isso significa para quem cria aves fora de Santa Catarina
Mesmo produtores de outros estados sentem o reflexo. Depois do primeiro foco, países como China, Argentina e a União Europeia chegaram a suspender temporariamente a certificação sanitária para todo o território brasileiro em episódios anteriores de Newcastle, mesmo quando o caso estava restrito a um único município. É esse risco de embargo generalizado que torna cada novo foco, mesmo pequeno, um assunto de interesse nacional, e não só catarinense.
- Nova Itaberaba: primeiro foco, confirmado em 18/10/2026, em criação de perus de corte.
- Coronel Freitas: segundo foco, confirmado em 27/10/2026, dentro da área de restrição já ativa.
- Águas Frias e Nova Erechim: incluídos na emergência zoossanitária de 60 dias pela Portaria Mapa nº 962/2026.
Por ora, o Mapa mantém a vigilância ativa nos quatro municípios e não confirmou nenhum novo foco além dos dois já conhecidos. Para o produtor catarinense, a recomendação de sempre continua valendo: reforçar a biosseguridade da granja, restringir a entrada de visitantes e veículos, e notificar qualquer mortalidade atípica de imediato.