O peixe que sustenta a piscicultura brasileira pode entrar na lista negra
A tilápia é hoje a espécie mais cultivada no Brasil, responsável por cerca de 70% de toda a produção nacional de peixes, que superou 1 milhão de toneladas em 2025 por aqui. Só que esse mesmo peixe, de origem africana, está sob análise da Comissão Nacional de Biodiversidade (Conabio), que discute classificá-lo oficialmente como espécie exótica invasora.

Francisco Medeiros, presidente da Peixe BR, levou o alerta à Aquishow Brasil 2026, em Uberlândia (MG), em junho: segundo ele, a mudança criaria insegurança jurídica para todo o setor e colocaria em risco investimentos estimados em mais de R$ 100 bilhões, além de milhares de empregos ligados à cadeia produtiva.
Um setor que mira o topo do ranking mundial
O timing da discussão incomoda justamente porque o Brasil vinha em trajetória ascendente. O país ocupa hoje a 4ª posição entre os maiores produtores mundiais de tilápia e a meta da Peixe BR é alcançar o 3º lugar até 2030, com ambição declarada de virar o maior produtor do planeta até 2040.

Enquanto a conversa regulatória não se resolve, o setor também enfrenta concorrência crescente do filé importado do Vietnã. Medeiros argumenta que a desvantagem brasileira não está no custo de produção na fazenda, e sim em diferenças tributárias e regulatórias que pesam contra o produto nacional no processamento.
Estados já reagem por conta própria
Paraná, São Paulo e Minas Gerais, três dos maiores polos produtores, adotaram medidas fiscais e de incentivo para proteger seus produtores locais enquanto a discussão nacional não avança. É um sinal de que, na prática, cada estado está se blindando como pode diante da incerteza regulatória.

No fim, a ironia é dura: o peixe que ajudou a construir uma das cadeias mais dinâmicas do agro brasileiro pode ser reclassificado justamente no momento em que o setor sonha com liderança global.