Brasil Busca Reconhecimento Internacional de Zona Livre de Peste Suína Clássica na Amazônia

Duas realidades sanitárias dentro do mesmo país

Enquanto parte do Brasil discute como ampliar seu status sanitário internacional, outra parte ainda briga para eliminar o vírus de dentro de casa. É esse o retrato da peste suína clássica (PSC) no país hoje: Amazonas, Pará e Roraima avançam num processo de reconhecimento internacional como zona livre da doença, enquanto Piauí e Ceará seguem como prioridade de vacinação porque o vírus continua circulando ali.

Suíno em fazenda de criação

Segundo informações apresentadas em reunião promovida pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) em julho de 2026, o pedido de reconhecimento da nova zona livre, apoiado em um levantamento sorológico feito nos três estados amazônicos, deve ser protocolado junto à Organização Mundial de Saúde Animal (WOAH, antiga OIE) até 2027, com expectativa de reconhecimento oficial em maio de 2028.

Por que esse selo importa tanto

Marcelo Lopes, presidente da Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS), tem reforçado em diferentes eventos do setor que reconhecimento sanitário internacional não é só formalidade burocrática: é vantagem competitiva direta tanto no mercado doméstico quanto nas negociações de exportação, já que países importadores costumam exigir zonas livres de doenças como a PSC para liberar compras.

Suíno em criação comercial

O Brasil já ocupa hoje a 3ª posição no ranking mundial de exportação de carne suína, atrás apenas de Estados Unidos e União Europeia, segundo a própria ABCS. Ampliar o número de regiões reconhecidas como livres de PSC é parte da estratégia para sustentar essa posição e abrir ainda mais mercados.

O outro lado do mapa

Nas regiões onde o vírus persiste, a lógica é inversa: Piauí e Ceará concentram esforço de vigilância clínica e campanhas de vacinação, já que a introdução do vírus numa zona livre pode comprometer o status sanitário conquistado e prejudicar exportações do país inteiro, não só do estado afetado.

Grupo de suínos em granja

É esse contraste que define a suinocultura brasileira em 2026: regiões buscando selo internacional de excelência sanitária andam ao lado de outras ainda tentando apagar um foco que resiste desde o fim dos anos 1990.

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