Uma inversão que ninguém esperava nos números
Durante cinco anos, de 2021 a 2025, o rebanho de caprinos cresceu mais rápido que o de ovinos no Brasil: 3,3% ao ano contra 2,1% ao ano, em média. O Boletim nº 33 do Centro de Inteligência e Mercado de Caprinos e Ovinos, da Embrapa Caprinos e Ovinos, divulgado em outubro de 2026 com base na Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM) 2025 do IBGE, mostra que essa relação virou de cabeça para baixo justamente na comparação mais recente.

Entre 2024 e 2025, o crescimento do rebanho ovino acelerou de 0,8% para 1,6% ao ano, enquanto o rebanho caprino desacelerou de 3,7% para 1,2%. Hoje o Brasil tem 22,31 milhões de ovinos (alta de 1,55%) e 13,52 milhões de caprinos (alta de 1,2%), segundo o levantamento assinado pelo pesquisador Klinger Magalhães.
O Nordeste é a única região que ainda cresce em caprinos
O recorte regional explica boa parte da desaceleração nacional dos caprinos. O Nordeste, que concentra 96,6% de todo o rebanho caprino do país (13,07 milhões de cabeças, alta de 1,4%), foi a única região brasileira a registrar crescimento na espécie. O Centro-Oeste, ao contrário, viu seu rebanho caprino cair 10,5% no período.

Com os ovinos, o quadro regional é parecido, mas a dinâmica interna muda: o Nordeste detém 75,8% do rebanho nacional (16,9 milhões de cabeças, alta de 4,4%), enquanto Sul (-8,6%), Norte (-3,3%) e Sudeste (-4,8%) recuaram.
Bahia lidera, mas quem acelera é outro
- Bahia segue na liderança nacional nas duas espécies, com 5,99 milhões de ovinos e 4,69 milhões de caprinos.
- Pernambuco aparece em segundo lugar nas duas espécies, e Piauí ocupa a terceira posição em caprinos.
- Juntos, Bahia, Pernambuco e Piauí concentram 74,4% de todo o rebanho caprino do Brasil.

O boletim não detalha o motivo exato da virada entre as duas espécies, mas o cenário sugere algo que já vinha se desenhando: a ovinocultura nordestina, historicamente menos badalada que a caprina, pode estar ganhando investimento e atenção técnica que antes se concentravam quase só nas cabras.