O estado de São Paulo registrou 12.728 casos de esporotricose em animais em 2025, quase todos em gatos, o maior número da série histórica. No mesmo ano foram 7.834 casos em pessoas. Os dados são do Boletim Epidemiológico do Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE) da Secretaria da Saúde de São Paulo, divulgado em fevereiro de 2026, e mostram uma doença que deixou de ser problema pontual de alguns bairros e virou questão de saúde pública.

O gato adoece, e o tutor vem logo atrás
A esporotricose é uma micose causada por fungos do gênero Sporothrix. No Brasil, a espécie que puxa a epidemia é o Sporothrix brasiliensis, muito adaptada ao gato. O animal infectado desenvolve feridas que custam a cicatrizar, principalmente no focinho, nas orelhas e nas patas, e transmite o fungo por arranhão, mordida ou contato direto com as lesões.
É por isso que os números humanos andam junto com os felinos. Segundo o boletim, 83,7% dos casos em pessoas vieram do contato com gatos doentes, e só 16,3% de exposição a solo, plantas ou outras fontes ambientais, que era a forma clássica de contágio descrita nos livros. Outro dado que chama atenção: 39,9% das infecções aconteceram dentro de casa.

Tem tratamento, mas é longo
Gato com esporotricose tem tratamento, feito com antifúngico receitado pelo veterinário e que costuma durar meses. O problema é justamente esse tempo: o tutor vê a ferida melhorar, interrompe o remédio antes da hora e o quadro volta. Enquanto isso, o animal continua transmitindo. Abandonar um gato doente na rua, o que infelizmente acontece, só espalha o fungo para outros animais e para a vizinhança.
Algumas medidas simples reduzem muito o risco. Manter o gato dentro de casa, castrado e sem acesso livre à rua diminui brigas e contato com animais infectados. Ao manipular um gato com feridas, use luvas. E qualquer lesão que não cicatriza em poucos dias, seja no gato ou em você, merece consulta.

Um problema que o número ainda subestima
O próprio recorde paulista provavelmente fica abaixo da realidade. A contagem de casos em animais depende de cada estado e de cada município, e muito gato doente nunca chega a um serviço de saúde. O Ministério da Saúde tornou obrigatória a notificação dos casos humanos, o que deve melhorar o retrato nacional. Para o veterinário de pequenos animais, o recado é claro: esporotricose não é mais diagnóstico raro, é suspeita de rotina diante de qualquer gato com ferida que não fecha.