Em dois dias de leilão em Campo Grande (MS), a Nelore JMP comercializou mais de 1.200 animais entre bezerras, novilhas, garrotes e touros. O evento, divulgado pelo CompreRural em 21 de junho de 2026, reforça algo que o mercado pecuário já vinha sentindo: a genética Nelore de ponta virou um ativo financeiro tão discutido quanto soja ou boi gordo.

Os números que chamaram atenção
No primeiro dia, foram vendidas 233 bezerras e novilhas 100% FIV, com média de R$ 47,2 mil por animal. O maior lance individual ficou com a bezerra 14606P FIV JMP: 50% do animal foi vendido por R$ 930 mil, o que projeta uma valorização total de R$ 1,86 milhão para aquela genética específica.
No segundo dia, a casa virou para os reprodutores. Foram ofertados 918 garrotes e touros, dos quais mais de 365 touros saíram com média acima de R$ 25,8 mil e 552 garrotes com média de R$ 22 mil. O touro 12440P FIV JMP teve 50% negociado com valorização de R$ 1 milhão, e o Magnata FIV JMP teve 50% vendido por R$ 1,4 milhão. A reportagem chama o resultado de maior venda de reprodutores da história da JMP.
Por que a Nelore JMP consegue esses valores
Depois de 12 anos de seleção genética, a Nelore JMP passou a integrar a JBJ Genetics, uma estrutura que hoje produz mais de 10 mil embriões e gera cerca de 5 mil nascimentos por ano. Esse volume é o que sustenta leilões desse tamanho sem esvaziar o plantel: a empresa consegue repor e ainda sobrar genética de elite para vender.

- FIV (fertilização in vitro) em escala permite multiplicar os melhores animais sem depender só de monta natural ou IA convencional.
- A integração com a JBJ Genetics dá acesso a uma rede maior de compradores e a um histórico de desempenho mais longo para avaliar os touros.
- Lotes com 50% do animal vendido, como nos destaques do leilão, são uma forma comum de dividir risco e manter a genética circulando entre criadores.
O que isso representa para quem não compra touro de R$ 1 milhão
Pouquíssimos pecuaristas vão pagar os valores do topo da tabela, isso é fato. Mas o efeito desses leilões chega lá na ponta de outro jeito: sêmen e embriões dos touros mais valorizados acabam disponibilizados no mercado em escala muito maior, geralmente a preços bem mais acessíveis que o animal inteiro. É assim que a genética premiada em Campo Grande termina influenciando o rebanho comercial em qualquer canto do país, do pequeno produtor de Mato Grosso ao confinamento do interior de São Paulo.

Vale lembrar que o valor financeiro total do leilão não foi divulgado pela organização, só as médias e os destaques individuais. Mesmo assim, somando os números que vieram a público, fica claro que o mercado de genética bovina no Brasil segue tratando o Nelore como a base inegociável da pecuária de corte nacional.