Brasil Vira o Maior Produtor Mundial de Carne Bovina e Fatura US$ 18 Bilhões

O Brasil acabou de virar o maior produtor de carne bovina do mundo, e isso não é exagero de manchete. O Anuário da Pecuária 2026, lançado pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) em julho, mostra que a cadeia da carne bovina moveu R$ 1,159 trilhão em 2025, o equivalente a 9% do PIB nacional. Pela primeira vez na história, o país assumiu o posto de maior produtor global, mantendo ao mesmo tempo a liderança nas exportações.

Exportações batem US$ 18 bilhões e chegam a 177 países

Segundo o relatório da Abiec, elaborado com a Athenagro Consultoria, a receita das exportações de carne bovina fechou 2025 em US$ 18 bilhões, um recorde histórico, com produtos chegando a 177 países. O salto em dólares foi de cerca de 40% em relação a 2024. Os principais compradores, pela ordem, foram China, Estados Unidos, Chile, União Europeia e Rússia.

Gado em pasto no Brasil, representando a pecuária bovina de corte

Produção recorde com abate de quase 48 milhões de cabeças

A produção nacional chegou a 12,35 milhões de toneladas em equivalente carcaça, outro número recorde. Para isso, foram abatidas 47,79 milhões de cabeças de gado em 2025, das quais 63,6% passaram por inspeção federal (SIF). O confinamento e a terminação intensiva a pasto (TIP) já respondem por 23% dos abates, um indicativo de que a pecuária brasileira está acelerando o ritmo de engorda em vez de simplesmente aumentar o número de animais.

  • Produção: 12,35 milhões de toneladas em equivalente carcaça (recorde)
  • Abate: 47,79 milhões de cabeças, com 63,6% sob inspeção federal
  • Confinamento e TIP: 23% dos abates totais
  • Rebanho nacional: 195,5 milhões de cabeças, o maior rebanho comercial do mundo

Como o rebanho cresceu 40% e a produção quase triplicou isso

O dado que mais chama atenção no anuário é a comparação entre 1990 e 2025. Nesse período, o rebanho bovino brasileiro cresceu 40%, chegando aos atuais 195,5 milhões de cabeças, o maior rebanho comercial do planeta. Só que a produção de carne cresceu 146,6% no mesmo intervalo, ou seja, quase 3,6 vezes mais rápido que o próprio rebanho. Isso mostra que o aumento não veio de ter mais boi no pasto, e sim de produzir mais com cada animal.

A produtividade por hectare subiu 183% nos últimos 30 anos, enquanto a área de pastagens caiu 18%, recuando para cerca de 160 milhões de hectares. Nesse processo, 27,9 milhões de hectares de pastagens degradadas foram convertidos para outros usos, como agricultura. Hoje, 64% do território nacional ainda é vegetação nativa, e a pastagem ocupa 19% do país.

Boi em pastagem verde, sistema de produção a pasto no Brasil

O que a Abiec projeta até 2035

O relatório também traz projeções para a próxima década. A produção deve chegar a 15,18 milhões de toneladas em equivalente carcaça em 2035, um avanço de 23% sobre 2025, ainda que o ciclo de 2026 deva trazer uma desaceleração técnica normal do setor. As exportações, por sua vez, devem saltar de 4,53 milhões para 7,09 milhões de toneladas, um crescimento de 56,5%. Pelas contas da associação, a intensidade de emissões de carbono da pecuária pode cair até 92,6% até 2050 com a adoção das tecnologias do plano ABC+.

Ao apresentar o anuário em Brasília, o presidente da Abiec, Roberto Perosa, resumiu o momento da cadeia: “Os números comprovam que é possível produzir mais, com mais eficiência, sustentabilidade e competitividade.” O documento é a 11ª edição anual da associação, e reforça algo que quem trabalha com pecuária no Brasil já vinha sentindo na prática: o país não está apenas exportando mais carne, está aprendendo a produzir mais carne com menos terra.

Rebanho bovino pastando em pastagem no Brasil

Deixe uma resposta

Compartilhar

Share on facebook
Facebook
Share on linkedin
LinkedIn
Share on telegram
Telegram
Share on whatsapp
WhatsApp

TAMBÉM QUER SEU ANÚNCIO AQUI? ENTRE EM CONTATO

Translate »