Um coelho que para de comer e fica com a barriga distendida pode estar com um problema que o criador nem vê de fora: coccidiose. É uma das doenças parasitárias mais comuns em cunicultura, e o detalhe que pega muita gente desprevenida é que ela aparece em duas formas bem diferentes, uma no fígado e outra no intestino, cada uma com seu próprio jeito de se manifestar.

Duas formas, dois comportamentos diferentes
A forma hepática, causada pela Eimeria stiedae, costuma ser silenciosa. Segundo o Manual Merck de Veterinária, boa parte dos coelhos infectados nem mostra sinal nenhum, só um pelo mais ressecado, apetite baixo e crescimento mais lento do que o esperado. O problema fica só visível mesmo na necropsia, quando aparecem nódulos amarelados no fígado onde o parasita se instalou nos ductos biliares.
Já a forma intestinal é causada por outras espécies do gênero, principalmente a Eimeria magna, além de E. irresidua, E. media, E. perforans, E. flavescens e E. intestinalis. Na maioria dos casos também é leve e passa sem sintoma nenhum, mas em plantéis com manejo sanitário fraco, animais jovens podem apresentar diarreia e perda de peso mais evidente.

O tratamento funciona, mas tem limite
Sulfaquinoxalina na água de beber, numa concentração de 0,04%, por trinta dias seguidos, é um dos protocolos mais usados contra a forma hepática, embora previna os sintomas sem necessariamente evitar as lesões no fígado. Para a forma intestinal, o mesmo produto costuma ser dado por sete dias, com um intervalo de sete dias e repetição do tratamento. Sulfadimetoxina em dose única seguida de manutenção na água, e toltrazuril em dose única, também reduzem bastante a contagem de oocistos nas fezes, segundo o próprio manual.
O ponto que o manual deixa bem claro é que o tratamento, isolado, não resolve o problema: ele chama isso de controle, não de cura. E faz sentido, porque o oocisto da coccídia é extremamente resistente no ambiente.

Por que a higiene da gaiola é a parte que realmente resolve
Manter comedouros e bebedouros livres de fezes, limpar a gaiola com frequência e fazer a escovação diária do piso de tela ajudam a interromper o ciclo do parasita antes que ele reinfecte o plantel. A desinfecção de gaiolas e equipamentos com solução de amônia a dez por cento é recomendada justamente porque esse produto é letal para os oocistos, que resistem a boa parte dos desinfetantes comuns. Sem essa parte de higienização feita ao mesmo tempo que o tratamento medicamentoso, qualquer protocolo tende a falhar, porque o coelho tratado volta a se contaminar pelo próprio ambiente onde vive.