Pará Tem 38% dos Búfalos do Brasil e o Marajó Está no Centro Disso

Pergunte a alguém de fora do Norte quem lidera a criação de búfalos no Brasil e é bem provável que a resposta erre feio. Não é o Rio Grande do Sul, não é Minas Gerais. É o Pará, e por uma margem que mais parece domínio do que liderança: segundo dados do IBGE divulgados pela Sedap, o estado concentra 546.777 cabeças, o equivalente a 38,13% de todo o rebanho bubalino nacional, que soma 1.434.141 animais.

Rebanho de búfalos pastando em área de campo aberto no Pará

Mais de um terço do rebanho nacional em um único estado

Esse tipo de concentração não é comum em nenhuma outra cadeia da pecuária brasileira. O Pará não apenas lidera, ele responde por mais de um terço de todos os búfalos do país. E a tendência, segundo o mesmo levantamento, é de crescimento: o rebanho paraense cresceu 5,34% em relação ao ano anterior, enquanto boa parte da pecuária convencional brasileira enfrenta oscilações bem menores.

A explicação está no ambiente. Búfalo não compete com o gado bovino pelas mesmas pastagens secas; ele se dá bem exatamente onde o boi sofre, em áreas alagadas, várzeas e campos inundáveis que dominam boa parte do estado. Onde outras espécies enxergam limitação, o búfalo encontra o habitat ideal.

O papel central do Marajó

Dentro do Pará, a história se concentra ainda mais em uma única região: o Marajó. Os municípios com maior participação no rebanho estadual são Chaves, com 32,09% do total, Soure, com 15,41%, e Cachoeira do Arari, com 8,15%. Somados, esses três municípios marajoaras respondem por mais da metade de todos os búfalos do Pará.

Não é exagero dizer que o búfalo moldou a paisagem e a economia do arquipélago. Ele chega onde estrada não chega, atravessa áreas que ficam meses sob água e ainda assim segue produzindo leite e carne com uma rusticidade que poucas raças bovinas sustentariam no mesmo ambiente.

Búfalos nadando em água barrenta, comportamento típico da espécie em áreas alagadas

Por que isso importa para quem está fora do Pará

A bubalinocultura brasileira ainda é pequena se comparada à bovinocultura, mas ela resolve um problema que o boi não resolve: ocupar produtivamente terras que, de outra forma, ficariam ociosas boa parte do ano. Isso se reflete em produtos de nicho que crescem de valor, como:

  • Leite de búfala, usado na produção de muçarela de búfala, com teor de sólidos e gordura superior ao leite bovino
  • Carne bubalina, mais magra e com menor teor de colesterol, vendida como diferencial em alguns mercados regionais
  • Búfalos de tração, ainda usados em trabalho agrícola em áreas de várzea onde máquina pesada não entra
Grupo de búfalos se refrescando em canal de água

O dado de 38% concentrado em um único estado chama atenção justamente porque mostra uma cadeia produtiva regional forte o suficiente para sustentar economia local sem depender do modelo convencional de pecuária. Enquanto o Brasil discute intensificação e genética bovina, o Marajó segue fazendo o que faz há gerações: colocar o búfalo para trabalhar onde mais ninguém consegue.

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