IATF em Bovinos: Por Que a Técnica Já É Mais Barata que a Monta Natural

Um touro reprodutor custa caro, come como qualquer outro boi e ainda assim cobre uma fração do rebanho que uma única dose de sêmen resolveria. Por isso a Inseminação Artificial em Tempo Fixo, a IATF, deixou de ser técnica de ponta e virou rotina na pecuária brasileira. E os números do Projeto Campo Futuro, da CNA, mostram por que: ela sai mais barata que a monta natural.

Veterinário trabalhando em manejo reprodutivo de bovinos no campo

Quanto custa prenhar uma vaca

O cálculo do Campo Futuro considera um touro mantido em média 4,2 anos na propriedade. Rateando esse custo pelas prenhezes que ele consegue gerar na monta natural, chega-se a cerca de R$ 140,16 por prenhez. Já a IATF, com um protocolo padrão de dispositivo intravaginal de progesterona, 3 mL de estradiol e 2 mL de prostaglandina, sai por volta de R$ 128,29, assumindo uma taxa de prenhez de 50% por ciclo. A diferença parece pequena no papel, mas multiplicada por um rebanho de centenas de matrizes vira economia real.

O insumo que mais pesa no bolso é o CIDR, o dispositivo de progesterona. Seu preço ficou estável até o começo de 2021 e depois disparou, com picos em junho de 2022 e maio de 2024. Mesmo assim, em termos reais, o custo total da IATF caiu 24% entre janeiro de 2019 e setembro de 2024, segundo a própria série do Campo Futuro.

Produtor rural ao lado de bovinos em fazenda

De técnica de elite a padrão de mercado

Segundo levantamento da ASBIA em parceria com o CEPEA, da Esalq/USP, 23,1% das matrizes de corte no Brasil já são inseminadas. E dentro desse universo a IATF virou a regra, não a exceção: o Boletim Eletrônico do Departamento de Reprodução Animal da FMVZ/USP registrou que 91,2% de todas as inseminações feitas no país em 2023 usaram o protocolo de tempo fixo, sem depender de observar o cio.

O que a conta de insumo não mostra

  • Nascimentos concentrados no início da estação de parição, o que dá mais tempo de ganho de peso antes da desmama
  • Acesso a sêmen de touros geneticamente superiores, impossível de replicar com o touro que está no pasto
  • Lotes de desmama mais uniformes, o que valoriza o animal na hora de vender
  • Ganho genético contínuo no rebanho, ciclo após ciclo
Bovinos de corte em pastagem usados em protocolo reprodutivo

Nenhum desses quatro pontos aparece na planilha de custo por prenhez. Mas são eles que fazem o produtor que já adotou a IATF dificilmente voltar para a monta natural, mesmo quando o preço do CIDR sobe.

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