O Banco do Nordeste liberou R$ 54,3 milhões para a carcinicultura cearense em 2025, um salto de 164% em relação aos pouco mais de R$ 20 milhões financiados em 2024. E o ritmo não deu sinal de desaceleração: de janeiro a abril de 2026, os financiamentos somaram R$ 7,7 milhões, 55% acima do mesmo período do ano anterior. Os números são do Caderno Setorial Etene de Carcinicultura do BNB, edição de dezembro de 2025, e foram divulgados pelo Movimento Econômico em junho de 2026.

Área crescendo, mas num ritmo controlado
Segundo dados da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), a área de aquicultura no estado passou de 14.603 hectares em 2023 para 16.233 hectares em 2025, um crescimento de 11,2% em dois anos. É um avanço bem mais comedido que o salto no crédito, o que sugere que o dinheiro está entrando menos para abrir novas áreas e mais para intensificar a produção nas fazendas já existentes.
O Ceará segue na frente, mas não está sozinho
- Ceará, 2024: 110 mil toneladas de camarão produzidas, com faturamento de R$ 3,5 bilhões, mais da metade da produção nacional de 210 mil toneladas.
- Rio Grande do Norte, 2024: 36 mil toneladas.
- Paraíba, 2024: 25 mil toneladas.
- Brasil como um todo: faturamento de R$ 6,3 bilhões e 3.500 produtores, dos quais 70% são microprodutores.

Um setor que já levou golpe duro e está se reorganizando
Vale lembrar o histórico recente: em 2018, o mercado europeu foi fechado ao camarão brasileiro, um golpe que ainda ecoa nas estratégias do setor. Hoje, a Associação de Produtores de Camarão do Ceará (APCC) e a Cooperativa dos Produtores de Camarão do Ceará (Copacam) projetam mais de 100 mil toneladas produzidas no estado em 2025, e o Censo da Carcinicultura previsto para 2026 deve mapear com precisão os cerca de 2.500 empreendimentos ativos no Ceará, a maioria deles pequenos produtores que hoje operam sem dados oficiais consolidados sobre sua própria atividade.

Segundo a superintendente do BNB no Ceará, Eliane Brasil, o crédito tem sido a ferramenta central para sustentar esse crescimento. Resta ver se o censo de 2026 vai confirmar os números estimados pelas associações do setor, e se a expectativa de retomada das exportações para mercados como China e Reino Unido, ainda não concretizada apesar das previsões otimistas de anos anteriores, finalmente vai se materializar.