A carcinicultura cearense captou R$ 54,3 milhões em financiamentos do Banco do Nordeste (BNB) em 2025, um salto de 164% sobre os pouco mais de R$ 20 milhões liberados em 2024. Nos quatro primeiros meses de 2026, o ritmo seguiu forte: R$ 7,7 milhões emprestados, 55% acima do mesmo período do ano anterior. No total, somando todas as suas linhas de atuação, o BNB destinou R$ 75,6 milhões ao setor em 2025, alta de 110%.

Por que o Ceará domina esse mapa
O estado concentra hoje cerca de 2.500 fazendas de camarão em atividade, segundo estimativa que deve ser confirmada por um censo georreferenciado em 2026. Em 2024, o Ceará produziu 110 mil toneladas de camarão, um valor de R$ 3,5 bilhões, e isso representa mais da metade das 210 mil toneladas produzidas em todo o Brasil naquele ano, de acordo com a Associação Brasileira de Criadores de Camarão (ABCC).
A área ocupada por viveiros no estado também não parou de crescer: segundo a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), passou de 14.603 hectares em 2023 para 16.233 hectares em 2025, um avanço de 11,2% em dois anos.

O entrave que ainda trava o setor
Nem tudo é expansão tranquila. O principal obstáculo apontado pelo setor é a dificuldade de conseguir licenciamento ambiental, o que impede boa parte dos produtores, principalmente os pequenos, de acessar linhas de financiamento institucional. A Associação de Produtores de Camarão do Ceará (APCC) e a Cooperativa dos Produtores de Camarão do Ceará (Copacam) também lembram que o mercado europeu está fechado para o camarão brasileiro desde 2018, o que empurra a produção pra depender ainda mais do mercado interno e de poucos destinos de exportação.
- R$ 54,3 milhões financiados pelo BNB à carcinicultura cearense em 2025.
- 110 mil toneladas de camarão produzidas no Ceará em 2024.
- Cerca de 2.500 fazendas de camarão em atividade no estado.
- 16.233 hectares de viveiros, 11,2% a mais que em 2023.

Setenta por cento dos produtores de camarão no Brasil são classificados como microprodutores, segundo a ABCC, o que ajuda a entender por que o acesso a crédito segue sendo o gargalo mais citado por quem vive da carcinicultura.