A ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal) soltou, em julho, uma projeção que deve animar quem vive da avicultura de corte: as exportações brasileiras de carne de frango podem chegar a 5,87 milhões de toneladas em 2026. Se o número se confirmar até dezembro, é recorde histórico, e um recorde folgado: até 10,3% acima do que foi vendido ao exterior em 2025.

O que está puxando esse crescimento
Não é só sorte. O Brasil consolidou nos últimos anos uma reputação sanitária que pesa muito na hora de outros países decidirem de quem comprar proteína animal. Status de área livre de influenza aviária reconhecido pela OMSA em praticamente todo o território, rastreabilidade de granja a embarque, e um custo de produção competitivo por conta do milho e do farelo de soja nacionais. A combinação abre porta em mercados que vivem fechando e reabrindo fronteiras pra carne de frango por questões sanitárias, e o Brasil tem surfado bem essa instabilidade dos concorrentes.
Outro ponto que a ABPA tem citado com frequência em 2026 é a diversificação de destinos. Depender de poucos compradores grandes é arriscado, então a entidade também comemora a abertura de novos mercados e a ampliação de cotas em países que antes compravam pouco.

O que isso significa pra cadeia produtiva
Pra quem cria frango de corte no Brasil, um recorde de exportação normalmente significa:
- Mais demanda por pintinho de um dia e por ração, pressionando toda a cadeia de insumos.
- Preço do frango vivo mais sustentado internamente, já que uma parte maior da produção sai do país.
- Investimento adicional em abatedouros e logística de frio pra dar vazão ao volume extra.
A ABPA tem repetido, nas suas comunicações de 2026, que a meta é chegar lá sem perder o controle sanitário. Um foco de uma doença aviária relevante, numa área de produção concentrada, derruba rapidamente qualquer projeção otimista. É por isso que biossegurança continua sendo o assunto mais chato e mais importante de toda essa história.

Se o ano fechar como a entidade projeta, o Brasil deve manter, com facilidade, a posição de maior exportador mundial de carne de frango, um posto que já ocupa há bastante tempo. A pergunta que fica pra 2027 é se o ritmo de crescimento de dois dígitos se sustenta, ou se o mercado já está perto de um platô.