O Pará concentra quase 800 mil cabeças de búfalo, segundo dados do IBGE, o que faz do estado o maior criador do país dentro de um rebanho nacional de 1.805.145 animais. Mais da metade de todo o búfalo do Brasil está em território paraense, e boa parte dessa concentração fica no arquipélago do Marajó, onde a bubalinocultura não é apenas uma atividade econômica a mais: é a principal.

Soure, Salvaterra e Cachoeira do Arari
Três municípios do Marajó Oriental, Soure, Salvaterra e Cachoeira do Arari, concentram boa parte dessa produção. Lá, o búfalo não compete com o gado bovino pelo espaço, ele ocupa um nicho próprio: áreas de várzea alagadas boa parte do ano, onde o bovino tem dificuldade de se adaptar e o búfalo se desenvolve bem, tanto para carne quanto para leite e derivados como queijo e manteiga.

A cadeia bubalina do Marajó gera ocupação e renda em duas pontas bem diferentes: grandes fazendas com rebanhos estabelecidos há gerações, e pequenos produtores familiares que tiram do búfalo boa parte do sustento da casa.
O turismo que nasceu ao lado do rebanho
Um efeito colateral interessante dessa concentração bubalina é o turismo rural. A Fazenda Mironga, a cerca de 5 km do centro de Soure, recebe pelo menos 500 turistas por mês para conhecer de perto a rotina com os búfalos, incluindo passeios guiados pelos animais. O proprietário espera aumento nesse fluxo nos próximos meses, com as férias escolares se estendendo de julho até dezembro.
Isso cria uma segunda fonte de renda em cima da mesma atividade: o produtor não depende só da venda de carne, leite ou queijo de búfala, ele também cobra pela experiência de mostrar o animal para quem nunca viu um búfalo de perto. No Marajó, essa combinação virou parte da identidade regional.

Por que o Pará segue na liderança
A concentração de quase 800 mil búfalos num único estado não é acidente de geografia, é resultado de décadas de adaptação da espécie ao ambiente de várzea amazônica, onde ela se sai melhor do que qualquer outra alternativa de pecuária de corte ou leite. Enquanto o resto do Brasil ainda trata a bubalinocultura como atividade de nicho, o Pará, e o Marajó em especial, já construíram em torno dela uma economia local inteira, da fazenda ao queijo, da ordenha ao turismo.