Fertilização In Vitro Já Responde por 97% dos Embriões Bovinos do Brasil, e o Nordeste Lidera o Crescimento

Em 2024, o Brasil registrou 508.001 embriões bovinos produzidos, e 493.989 deles, ou seja 97,2% do total, vieram de fertilização in vitro. A produção in vitro cresceu 8,5% em relação a 2023, enquanto a coleta in vivo, o método mais antigo, caiu 15,2% no mesmo período. O dado mostra uma mudança de rota que já estava em curso, mas que agora é definitiva: a reprodução bovina no Brasil migrou para o laboratório.

Vacas com identificação auricular para melhoramento genético

Nordeste cresce mais que a média nacional

O que chama atenção é onde esse crescimento está concentrado. No Nordeste, os embriões comunicados de raças zebuínas aumentaram 155% entre 2020 e 2024, e a participação da região no total nacional de embriões subiu de 3,8% para 6,3%. Sergipe é um exemplo concreto dessa movimentação: o Sebrae do estado estima que as empresas atualmente instaladas já teriam capacidade de transferir cerca de 5 mil embriões por ano.

Gado de corte em pasto no Nordeste

Três estruturas ilustram esse movimento em Sergipe:

  • O Centro de Biotecnologias da Reprodução Animal, parceria entre a UFS e a Embrapa no Campus Rural de São Cristóvão, com investimento de cerca de R$ 1 milhão, sendo R$ 500 mil só para a estrutura de produção in vitro, e início previsto entre o começo e o meio de 2027, sob responsabilidade do pesquisador Anselmo Ferreira Santos
  • A LBN Embriões, laboratório privado em Aracaju, com início previsto em até dois meses, liderado pelo veterinário Ranilson Rego Cavalcante, que já soma 48 anos de atuação na área
  • A Nordeste In Vitro, de Alagoas, que já atende produtores sergipanos quase toda semana, sob responsabilidade de Lucas Carvalho Pereira

A conta que faz o produtor migrar para o laboratório local

O custo é o que explica a pressa em instalar estrutura própria no estado. Hoje, trazer uma equipe de outro estado para fazer a coleta e produção de embriões custa entre R$ 750 e R$ 1 mil por embrião. Com laboratório local, a estimativa cai para a faixa de R$ 300 a R$ 400. É quase um terço do preço, e para um pecuarista que quer multiplicar genética de qualidade em escala, essa diferença decide se o programa de melhoramento sai do papel ou não.

O programa Sebraetec ajuda a acelerar essa adoção: o Sebrae paga 70% da consultoria tecnológica, e o produtor paga os 30% restantes. Mais de 180 pecuaristas sergipanos já foram atendidos com inseminação artificial em tempo fixo (IATF) e transferência de embriões através do programa, que também registrou mais de 15 mil inseminações em 2024.

Vaca mestiça em pasto verde

Resultados que justificam o investimento

Com sêmen sexado, a chance de nascimento de fêmea fica entre 85% e 90%, e a taxa de prenhez gira em torno de 35%. Um caso citado pelo Sebrae é do produtor de leite Edmilson Góes, com cerca de 300 animais e produção diária de 2,3 mil litros: uma única doadora, com oito gestações no histórico, viu sua produtividade média subir de 15 ou 16 litros para 24 a 26 litros por vaca depois do trabalho de melhoramento genético.

A demanda por esse tipo de serviço cresceu cerca de 10% entre 2024 e 2025, segundo analista do Sebrae, com expectativa de aceleração para cerca de 20% entre 2025 e 2026. Se as novas estruturas sergipanas entrarem em operação conforme o planejado, o Nordeste deve continuar ganhando participação na produção nacional de embriões nos próximos anos.

Deixe uma resposta

Compartilhar

Share on facebook
Facebook
Share on linkedin
LinkedIn
Share on telegram
Telegram
Share on whatsapp
WhatsApp

TAMBÉM QUER SEU ANÚNCIO AQUI? ENTRE EM CONTATO

Translate »