Numa teleconferência com analistas no final de março, Gilberto Tomazoni, CEO global da JBS, fez uma previsão que deveria interessar diretamente quem produz frango ou suíno no Brasil: milho mais caro e farelo de soja mais barato ao longo de 2026. Para quem formula ração de monogástricos, isso é notícia mista, boa de um lado e preocupante do outro.

Milho em alta, farelo de soja em baixa
Segundo Tomazoni, “no milho, vemos uma tendência de alta, devemos esperar um custo maior em 2026”. Os motivos apontados foram a redução dos estoques globais, demanda sólida, petróleo mais caro (o que favorece a demanda por etanol e, por consequência, por milho) e o avanço da soja sobre áreas que antes eram de milho nos Estados Unidos. A segunda safra brasileira de milho também carrega risco climático, e o resultado final vai depender de como se comportarem as chuvas de abril e maio.

Já o farelo de soja, o CEO classificou o cenário como baixista, por causa da oferta grande de soja e das margens apertadas da suinocultura chinesa, que compra menos farelo quando a rentabilidade cai. Ele ressaltou, no entanto, que a política de biocombustíveis dos Estados Unidos é uma variável a observar, porque pode sustentar a demanda por óleo de soja e, de forma indireta, afetar o mercado do farelo também.
Por que isso pesa tanto na ração de aves e suínos
Milho e farelo de soja juntos costumam representar entre 70% e 80% da formulação de uma ração de frango ou de suíno em crescimento. Não é exagero dizer que, para esses dois setores, o custo da ração é o custo da produção. Quando o milho sobe e o farelo cai ao mesmo tempo, o efeito final sobre o custo total depende de qual das duas forças pesa mais na fórmula, e isso varia de granja para granja, de região para região.
- Milho mais caro pressiona o custo da energia da ração
- Farelo de soja mais barato alivia o custo da proteína
- O saldo final depende da participação de cada insumo na fórmula de cada criador

A JBS, maior processadora de proteína animal do mundo, tem motivo de sobra para acompanhar esses dois mercados de perto: milho e farelo de soja respondem por parte relevante dos custos da companhia, já que suínos e frangos dependem fortemente de ração balanceada em todas as fases de produção.
O que fica para o produtor
Previsão de CEO de multinacional não é garantia, é leitura de mercado. Mas quando quem compra milho e farelo de soja em volume industrial sinaliza tendência de alta de um lado e baixa do outro, vale o produtor de aves e suínos revisar o planejamento de compra de insumos para o restante do ano, em vez de simplesmente repetir o padrão de anos anteriores.