Agosto foi um mês e tanto para quem vende bovino vivo para fora do Brasil. Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior, a Secex, compilados pela Scot Consultoria, o país embarcou 171 mil cabeças de gado vivo no mês, um salto de 109,4% em relação a agosto de 2025. A receita acompanhou o ritmo: US$ 243,9 milhões, alta de 182,6% no mesmo período.

Turquia na frente, de forma isolada
A Turquia sozinha comprou 62,2 mil cabeças em agosto, 36,4% de tudo que o Brasil embarcou no mês. Marrocos ficou com 21,9% e o Iraque com 20,6%. Juntos, esses três países representaram 79% de toda a exportação brasileira de gado vivo naquele mês, uma concentração de mercado que chama atenção: quando três compradores dominam quase 80% da demanda, qualquer mudança de política comercial em um deles afeta o preço recebido pelo pecuarista brasileiro de forma desproporcional.
Roselena Sestari, analista de mercado da Scot Consultoria, acompanha esse movimento de perto. O padrão que vem se repetindo em 2026 é claro: países do Oriente Médio e do Norte da África preferem receber o animal vivo e abater localmente, respeitando práticas religiosas e culturais específicas de cada mercado, em vez de importar a carne já processada.

Por que o pecuarista deveria prestar atenção nisso
Exportar o animal vivo historicamente paga melhor por cabeça do que vender para o frigorífico nacional, especialmente em períodos de demanda forte como o de agosto. Isso cria um incentivo real para o produtor negociar diretamente com exportadoras de gado vivo, mas também levanta uma questão que o setor debate há anos: será que essa demanda internacional por exportação ao vivo compete com a oferta de animais destinada ao abate interno, pressionando o preço da arroba para cima também no mercado doméstico?
- 171 mil cabeças de gado vivo exportadas em agosto de 2026.
- Alta de 109,4% no volume e 182,6% na receita frente a agosto de 2025.
- Turquia, Marrocos e Iraque somam 79% das compras do mês.
- Receita total de US$ 243,9 milhões no mês.

O outro lado da moeda
Vale lembrar que a exportação de gado vivo também é um dos temas mais sensíveis da pecuária brasileira sob o ponto de vista de bem-estar animal, por causa do tempo de viagem marítima até os portos de destino. Entidades de defesa animal já pediram restrições a essa modalidade de exportação em diferentes países, inclusive dentro da própria União Europeia. Para o Brasil, enquanto a demanda por animal vivo continuar forte e remunerando melhor que o mercado interno, é difícil esperar que essa pressão regulatória mude o rumo do comércio no curto prazo.