Campos Novos, em Santa Catarina, virou sede da primeira usina do Brasil a transformar dejeto de suíno em biometano de grau comercial. A unidade, da empresa H2A Bioenergia em parceria com a Copercampos, processa diariamente o suficiente para gerar 16 mil metros cúbicos de biometano e 23 mil metros cúbicos de biogás, além de 12 toneladas de CO₂ de grau alimentício, com pureza de biometano superior a 96%.

Por que isso importa para quem cria suíno
Santa Catarina é o maior estado produtor de suínos do Brasil, e durante décadas o dejeto da criação foi tratado principalmente como um problema ambiental a ser gerenciado, não como um ativo. A usina de Campos Novos inverte essa lógica: o dejeto que antes só gerava custo de armazenamento e risco de contaminação de rios agora alimenta uma cadeia de biogás que vira combustível vendável.
O investimento total foi de R$ 65 milhões, segundo Adilson Teixeira Lima, diretor-presidente da H2A Bioenergia. A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, a ANP, certificou a unidade, o que permite que o biometano produzido entre na matriz de combustíveis do país nos mesmos padrões de qualidade exigidos para o gás natural convencional.

Crédito de carbono e potencial bilionário
A usina também pode gerar créditos de descarbonização pelo programa RenovaBio, uma camada extra de receita que não existia antes para o setor. A Associação Brasileira de Biogás e Biometano, a ABiogas, vem repetindo há anos que o potencial do país nessa área é bilionário, mas poucos projetos concretos tinham saído do papel em escala comercial até agora, pelo menos não voltados especificamente para dejeto suíno.
- 16 mil m³ de biometano produzidos por dia, com pureza superior a 96%.
- 23 mil m³ de biogás e 12 toneladas de CO₂ de grau alimentício por dia.
- Investimento de R$ 65 milhões, certificado pela ANP.
- Potencial de créditos de descarbonização pelo RenovaBio.

O que vem depois de Campos Novos
Se o modelo de Campos Novos se mostrar economicamente sustentável no médio prazo, é bem provável que outras cooperativas do Oeste catarinense, região com a maior densidade de criação de suínos do Brasil, sigam o mesmo caminho. O gargalo nunca foi tecnológico, já existem biodigestores funcionando em granjas menores há anos. O gargalo era de escala e de certificação para transformar o gás em combustível comercializável fora da própria propriedade, e é exatamente esse degrau que a nova usina acabou de subir.