O tamanduá-bandeira é um dos mamíferos mais reconhecíveis da fauna brasileira, com seu focinho alongado, a cauda enorme usada quase como um cobertor e um andar lento que, infelizmente, é parte do problema. Essa espécie, que pode passar boa parte do dia caminhando por pastagens e bordas de estrada em busca de formigueiros e cupinzeiros, está cada vez mais perto de fazendas e rodovias, e essa proximidade tem um custo alto.

Um animal que depende de paisagem aberta
Diferente de muitos mamíferos que preferem mata fechada, o tamanduá-bandeira é típico de ambientes abertos como o Cerrado e o Pantanal, exatamente as regiões que concentram boa parte da pecuária brasileira. Isso significa que a espécie não vive isolada em reservas distantes: ela convive, quase todos os dias, com pastagens cultivadas, cercas e estradas que cortam fazendas.
Essa convivência tem um lado positivo pouco lembrado. O tamanduá-bandeira é um predador natural de cupins e formigas, incluindo espécies que podem causar dano a pastagens e a estruturas rurais, então sua presença em uma propriedade costuma funcionar como controle biológico gratuito, sem custo de inseticida para o produtor.

O risco que mais mata a espécie
O problema é que o tamanduá-bandeira é lento, tem visão ruim e, quando se sente ameaçado, não foge: ele se planta no lugar ou levanta as patas dianteiras armadas de garras longas para se defender. Essa estratégia funciona contra um predador natural, mas não contra um carro em alta velocidade. Atropelamento em rodovias que cortam Cerrado e Pantanal é hoje uma das principais causas de morte da espécie, e trechos de estrada que passam perto de áreas de pastagem concentram boa parte desses acidentes.
A espécie também é vulnerável a queimadas, já que não corre rápido o suficiente para escapar do fogo, e a ataques de cães domésticos soltos em áreas rurais, que confundem o tamanduá com uma ameaça ou uma presa fácil. Juntos, esses fatores fizeram o tamanduá-bandeira entrar na lista de espécies ameaçadas de extinção no Brasil, classificado como vulnerável pelo ICMBio.

O que o produtor pode fazer na prática
Reduzir velocidade em trechos de estrada rural conhecidos por avistamento da espécie, evitar soltar cães sem supervisão perto de áreas de pastagem aberta e manter aceiros bem feitos para conter o avanço de queimadas são medidas simples que já fazem diferença real. Para quem cria gado em região de Cerrado ou Pantanal, o tamanduá-bandeira não é um problema a ser afastado, é um vizinho que, bem tratado, ainda devolve o favor cuidando das pragas da pastagem.